quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Torre de Moncorvo na Idade Média: contributo para a história da vila e termo,- Tânia Amaral


 O tema de Torre de Moncorvo, por nós escolhido surgiu da vontade de conhecer e aprofundar conhecimentos sobre a área onde residimos e estudámos. Este livro surge na sequência da nossa tese de mestrado em História Medieval e do Renascimento. Após ter estagiado no Arquivo Histórico de Torre de Moncorvo, encontramo-nos, presentemente, a trabalhar na região de Moncorvo, no dito arquivo, no âmbito das medidas de minimização de impacto sobre o património cultural derivadas da construção da Barragem do Baixo Sabor(AHBS).

Este trabalho encontra-se dividida em duas partes: a I Parte sobre A Região de Moncorvo, que contém 5 capítulos. A II Parte sobre A Vila de Torre de Moncorvo que tem 4 capítulos.



I Parte – A Região de Moncorvo

O primeiro capítulo, inserido na primeira parte, refere-se ao Concelho e à Região.
Começámos por localizar geograficamente a vila de Torre de Moncorvo e apontar as freguesias que hoje fazem parte do concelho. A riqueza mineira e a caracterização dos solos foram referidas já que delas dependia, em parte, a economia da região.
Não existe um consenso relativamente à origem da vila de Moncorvo, em parte devido à inexistência de documentos históricos que comprovem a veracidade dos factos.
Segundo o Abade de Baçal e outros autores, o capitão Mem Corvo teria sido governador de uma das províncias em que se enquadrava Moncorvo, tendo-lhe sido entregue Carta Foralenga em 1062, que D. Afonso Henriques posteriormente confirmou. Mais tarde o seu castelo teria sido arrasado pelos Árabes ou pelos Leoneses, o que levou à mudança dos seus habitantes para as proximidades do Rio Sabor (local compreendido entre este rio e a Ribeira da Vilariça), originando o povoado de Santa Cruz da Vilariça. Posteriormente, os habitantes de Santa Cruz da Vilariça terão abandonado este local e regressado ao inicial (sopé da Serra do Reboredo) devido a uma melhor localização deste e maior abundância de água potável.

O segundo capítulo refere-se aos conflitos do concelho com os outros concelhos. Com os concelhos e particulares.
O concelho de Moncorvo teve alguns litígios com a população dos concelhos limítrofes, tendo sido por vezes o rei obrigado a intervir nessas questões. Também particulares se viram envolvidos em questões que afectavam alguns direitos que estes consideravam como legitimamente seus.
                      
Já o terceiro capítulo refere-se à Cooperação. As ligações com a população e concelhos limítrofes nem sempre foram feitas de contendas. Houve também cooperação em muitos casos, que podia ocorrer nos dois sentidos, ou seja, Moncorvo ajudava os vizinhos ou estes cooperavam com o concelho. De qualquer forma, será de salientar que a cooperação era por vezes forçada pelos próprios monarcas, a quem uns e outros recorriam para defender os seus direitos.

O quatro capítulo foca Relação com o poder Central , nomeadamente Intervenção régia nos concelhos, presença régia, forais e privilégios. A intervenção régia era visível quando os monarcas tinham que dar resposta às queixas que os procuradores moncorvenses apresentavam em Cortes. Mas ela também se consubstanciava em diversas situações, que iam desde a outorga de forais e criação de novas vilas, à concessão de privilégios, passando pela promulgação de sentenças, entre outros. No que respeita estritamente ao concelho de Moncorvo, merecem realce as presenças régias na região, nomeadamente as de D. Dinis e de D. João I.
A outorga de forais na região transmontana, ao longo de menos de um século, não terá ocorrido de forma casual. Os monarcas estruturavam assim a ocupação do espaço em torno de povoações estrategicamente colocadas, tendo por último objectivo uma linha de defesa, contra os invasores. É neste sentido que se entendem os forais dados a Torre de Moncorvo, a Sta. Cruz da Vilariça, Mós e Urros.
O monarca também intervinha nos concelhos outorgando privilégios, como agradecimento por serviços prestados, e, em alguns casos, como forma de fixação da população em lugares menos propícios.

Por fim, o quinto capítulo está relacionado com os Elementos de ligação régia no concelho.
Os monarcas encontraram forma de controlar os municípios mais distantes utilizando, como intermediários, o corregedor, o juiz de fora, o almoxarife, o meirinho e o alcaide, entre outros. Da actuação de todos temos conhecimento no Concelho de Torre de Moncorvo.

II Parte - A Vila de Torre de Moncorvo

Como foi referido anteriormente a segunda parte retrata a vila de Torre de Moncorvo, em que o primeiro capítulo da-nos uma visão sobre a Organização administrativa.
Tendo analisado as relações da população de Moncorvo com os seus vizinhos e com o rei, tornou-se imperioso conhecer o modo como o concelho moncorvense se organizava do ponto de vista administrativo. Apesar de não ter chegado até nós qualquer acta de vereação ou qualquer outro documento relacionado com gestão camarária, como acontece, por exemplo, para o concelho de Mós, a documentação analisada deu-nos a conhecer a existência de juízes, vereadores e procuradores, assim como de escrivães e tabeliães que exerciam a sua actividade em ligação estreita com o concelho.
Na documentação por nós analisada verificamos que existiam outros procuradores (procuradores na Corteprocuradores das Cortes) que sabemos não se tratarem do Procurador da vila. Dado que podem eventualmente terem sido oficiais do Concelho, optámos por os incluir no trabalho.

O segundo capítulo refere-se aos Aspectos económicos.
Situado no interior transmontano, o concelho de Moncorvo, como qualquer outro, teria de ter os seus próprios meios de sobrevivência. Contudo, os moradores encontraram na agricultura um dos meios para sobreviver, sendo o cereal um bem essencial para produção de pão, assim como a produção de vinho e de linho. Todos estes bens se tornaram uma forma de sustentabilidade dos cofres do concelho, ou seja, constituíam uma base de cobrança de impostos.
A localização do concelho junto aos rios Douro e Sabor foi igualmente determinante na sua organização económica. Se o sustento do(s) barqueiro(s) que assegurava(m)  a passagem de pessoas e bens essenciais provinha do dinheiro cobrado por essa passagem, o transporte fluvial na região, e tudo que com ele se relacionasse, provocava inúmeras querelas entre o concelho de Moncorvo e o de Vila Nova de Foz Côa.
Apesar de todos os esforços que certamente os oficiais camarários faziam, nem sempre as finanças do concelho tinham saldo positivo, o que motivou o recurso a empréstimos a particulares. Moncorvo foi um dos concelhos que emprestou dinheiro aos monarcas portugueses, quando estes recorreram a pedidos e empréstimos. Deve, por isso, salientar-se o facto de este tipo de situações nos mostrar claramente que havia moncorvenses monetariamente abastados.

O terceiro capítulo descreve os Aspectos do quotidiano.
O concelho de Moncorvo situa-se numa zona de fronteira, o que se tornava numa preocupação para os habitantes dado o risco de invasão eminente por parte de Castela. Por esta razão, o quotidiano dos moradores era dedicado, entre muitas outras coisas, à construção e manutenção dos muros e fortalezas.
Para além da importância dada a estas obras, era necessário haver preocupação com o abastecimento de água da população, o que competiria à vereação.
O quotidiano dos moncorvenses era repleto de várias actividades, sendo uma delas a agricultura, nomeadamente dos cereais, da vinha e da cultura do linho cânhamo. Também ocupavam os seus dias com a produção de gado, nomeadamente de bois, e com a pesca no rio Sabor e na ribeira da Vilariça.
A região de Moncorvo é rica em ferro, motivo que terá levado desde cedo os habitantes a aproveitar este recurso natural além da sua extracção, o metal era vendido na feira, fomentando as trocas comerciais.
O quotidiano dos habitantes de Torre de Moncorvo também era feito de outras actividades importantes, constituindo a feira, mercado e açougue algumas delas.

O quatro e último capítulo foca a Organização eclesiástica.
Durante a época medieval, a região raiana de Trás-os-Montes estava dividida, em termos de organização diocesana, em três «terras» da Arquidiocese de Braga: Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro e Vilariça, sendo esta última a de maior dimensão territorial.
A partir da segunda metade de quinhentos os territórios foram partilhados entre a Diocese de Braga e a recente Diocese de Miranda do Douro, o que motivou alteração da geografia eclesiástica. Torre de Moncorvo, que até 1545 pertence à Diocese de Braga, passa a pertencer a partir dessa data à nova diocese.
A vida religiosa integrava-se obviamente no quotidiano dos moncorvenses. Esta vila enquanto lugar habitado e organizado, já tinha uma igreja anterior ao reinado de D. Sancho II. Nos séculos seguintes temos referência a duas igrejas existentes em Moncorvo. Uma delas era dedicada ao apóstolo São Tiago e a outra, que tinha como orago Santa Maria, provavelmente ficava situada extra-muros.
Na pesquisa realizada encontrámos algumas (poucas) referências à nomeação dos clérigos para ambas as Igrejas.

A título de conclusão e após a elaboração deste trabalho, existem aspectos que nos parece importante realçar.
Verificamos que nos conflitos com outros concelhos, como por exemplo Vila Nova de Foz Côa e Urros, Moncorvo ganha com frequência as causas, o que provavelmente demonstra a importância que esta vila teria para os monarcas. Tal facto estará relacionado com a sua proximidade com a fronteira com Castela. Já nos conflitos com particulares, esta situação não se nota, pois em alguns casos Moncorvo perde as causas.
No que respeita à cooperação inter-concelhia verifica-se que ela existia, umas vezes espontaneamente, mas na maior parte dos casos forçada pelo rei ou pelos seus oficiais. Nos documentos por nós analisados encontramos os dois tipos de situação.
intervenção do monarca manifestava-se, antes de mais com a presença régia nos concelhos, os forais e os privilégios. Da primeira temos notícias relativas a D. Dinis e a D. João I. Para além dos forais, os reis outorgavam outros privilégios à população de Moncorvo, como agradecimento por serviços prestados, e tendo em conta a sua relevância estratégica e a importância do porto do rio Douro e Sabor. Esta política de favorecimento régio não impediu, contudo, que o concelho de Moncorvo tivesse apresentado vários agravos nas Cortes contra os corregedores, que nem sempre tiveram a resposta desejada.
Debruçámo-nos sobre a actividade específica de cada um dos oficiais concelhios. Também nos mereceram todo o interesse as referências que pudemos coligir relativas a aspectos económicos relacionados com os habitantes da vila ou do concelho. Contudo, foram as informações que nos chegaram sobre o quotidiano dos moncorvenses que nos chamaram uma atenção especial. A preocupação com a segurança da vila, o abastecimento de água e as diversas actividades a que se dedicavam os habitantes de Moncorvo – agricultura, criação de gado, pesca fluvial, extracção de ferro -, intimamente relacionadas com a realização da feira e/ou do mercado reflectem-se um pouco por todo o trabalho.
No que respeita à organização eclesiástica, apesar de termos reunido as informações relativas às duas Igrejas de Moncorvo, Santiago e Santa Maria, não nos foi possível aferir da real importância destas instituições.
Terminada a investigação, resta-nos a esperança de, de algum modo, ter contribuído para um melhor conhecimento desta vila transmontana no período medieval. Estamos conscientes de que há ainda muito para trabalhar.
Tânia Amaral

Editora: LEMA D'ORIGEM
Autor: Tânia Marlene Ramalho Amaral
Preço: 15,00€                

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Homem das Violetas Roxas





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12,00 €
detalhes do preço

Stock: disponível


Sinopse:

O Homem das Violetas Roxas é um romance que nos confronta com três personagens de alma límpida mas cuja vida foi entupida, de uma forma ou de outra, pela tristeza: um curador de almas, uma mulher em busca da sua identidade e uma velha enlouquecida por segredos e mistérios esquivos, próprios das mulheres que não foram amadas. * * * * "Ao sentir-se envelhecer, ele perdera a vontade de ir na procissão e refugiou-se naquele local perto do mar. Ali sentia-se a presença de Deus, não havendo espaço para medo ou culpa. Mas a procissão passou a visitá-lo… Todos os dias chegava alguém com um andor às costas, carregado com o peso da sua alma" "O velho Abel era sensível aos valores das almas dos homens que o procuravam e penetrava os espíritos com profundidade. Eram homens e mulheres em busca de um pedaço de céu. Para aqueles que o procuravam, ele interpretava magicamente as suas vidas e mudava-as para melhor, diziam. Quer fosse através das violetas e dos seus poderes medicinais, quer fosse através da força das palavras modeladas pela voz do coração, a quinta tornara-se o oráculo das gentes do sul." "Ali, tudo era colocado no seu devido lugar e as coisas, exceptuando os laços que mantemos com quem amamos, tinham a importância que tinham. E, na maioria das vezes, era pouca…"

Índice:

Prefácio
Prólogo
Lua
Marte
Mercúrio
Júpiter
Vénus
Shabat
Sol
Epílogo
Agradecimentos


A AUTORA:
Carmo Miranda Machado nasceu no Alentejo profundo, numa aldeia da margem esquerda do Guadiana e vive em Lisboa onde é professora de Português e formadora da área comportamental em várias empresas. Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica Portuguesa, mantem o interesse pela investigação frequentando o Doutoramento em Supervisão da Prática Profissional. Colabora com a Revista Mais Alentejo e o Jornal Notícias do Parque. Publicou Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas em 2007 e Eu Mulher de Mim – em Lisboa, Além Tejo e Todo o Mundo em 2009, ambos nas Edições Colibri.

Detalhes:

Edições Colibri
Ano: 2011
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 126
Formato: 23x16

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Livros e Autores Transmontanos - A Terra de Duas Línguas – Antologia de Autores Transmontanos II



Trata-se de uma antologia, como o próprio título indica, onde estão representados autores em língua portuguesa e mirandesa, abrangendo áreas como a ficção, poesia, crónica ensaio e teatro. 
Estão representados os seguintes autores:

Português 
A.M.Pires Cabral, Alexandre Parafita, Ernesto Rodrigues, Fernando de Castro Branco, Henrique Pedro, José Rodrigues Dias, Manuel Cardoso, Manuel Gouveia, Regina Gouveia, António Afonso, A.Pinelo Tiza, Amélia Ferreira-Pinto, Antero Neto, António Manuel Monteiro, António Modesto Navarro, António Passos Coelho, António Sá Gué, Cláudio Carneiro, Fernando Mascarenhas, Hélder Rodrigues, Idalina Brito, Isabel Mateus, João de Deus Rodrigues, Joaquim Ribeiro Aires, José Lopes Alves, Luís Vale, Manuel Amendoeira, Marcolino Cepeda, Maria Hercília Agarez, Pedro Castelhano, Tiago Patrício, Virgílio Nogueiro Gomes, António Fortuna, Carlos d’Abreu, José Augusto de Pêra Fernandes, José Mário Leite, Nuno Augusto Afonso, António Chaves, Artur Manso, Barroso da Fonte, Isabel Alves, João Cabrita, Lucília Verdelho da Costa, Maria da Assunção Anes Morais, Maria Manuela Araújo. 

Mirandés 
Adelaide Monteiro, Domingos Raposo, Maria Rosa Martins, São Sendin, Alcides Meirinhos, Alfredo Cameirão, Bina Cangueiro, Faustino Antão, Alcina Pires, Amadeu Ferreira. 

Titulo: A Terra de Duas Línguas – Antologia de Autores Transmontanos II
Autor: Vários
Editora: Lema D'Origem
Preço: 20,00€
Câmara Municipal de Vila Real
Grémio Literário Vila-Realense

O Presidente da Câmara Municipal de Vila Real tem o gosto de convidar V. Ex.ª para o Encontro 'Saber Trás-os-Montes', cujo tema é “A gastronomia na literatura trasmontana e alto-duriense”, que se realiza no dia 13 de Setembro de 2013 (sexta-feira), com o seguinte

PROGRAMA

09h00
. Recepção aos participantes.

09h15
. Sessão de entrega do Prémio Literário 'António Cabral' ao Poeta Daniel Gonçalves.

09h30
. Elísio Amaral Neves – Gastronomia vila-realense: Algumas das primeiras referências na imprensa local.

10h00
. Mata-bicho.
Cebolas e tomates rachados, azeitonas, carne gorda, bacalhau cru, leite, café de saco, broa e mel, aguardente e figos, caldo de cebola.
(Serviço da Nova Pompeia. Por inscrição: 5,00 €. Inscrições no Grémio Literário, pelo tel. 259 303083 ou email gremio@cm-vilareal.pt)
. Palestra por João Leite Gomes – O ciclo das refeições rurais.
10h45
. Ernesto Rodrigues –  A primeira sobremesa.
11h30
. Virgílio Nogueiro Gomes – Linguagem do património imaterial: Alimentação, alguns exemplos.


A participação não está sujeita a inscrição.
Câmara Municipal de Vila Real
Grémio Literário Vila-Realense

O Presidente da Câmara Municipal de Vila Real tem o gosto de convidar V. Ex.ª para a sessão de apresentação do n.º 27 da Colecção TellusOs meus livros e outras crónicas (Introdução, selecção e notas de Ernesto Rodrigues), de Raul Rêgo, evocando o seu centenário. A apresentação terá lugar no dia 13 de Setembro de 2013, pelas 21h30, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, e será feita pelo Prof. Doutor Ernesto Rodrigues.