“Os Idiotas” de Rui
Ângelo Araújo
Eis uma antevisão
do que será o livrinho:
Sendo o primeiro a ir ao prelo, 'Os Idiotas' não é o meu primeiro romance. É o
terceiro. Avançou em vez dos outros porque houve uma editora catalã que se
deixou enganar e porque diz-se que uma parte da obra a torna particularmente
adequada à saison.
A editora
descreve-o assim:
«O Lúcio, o Luís, o Óscar, o Avelino, o Sérgio e o Vasco foram em tempos
pessoas quase normais, projectos individuais de cidadania como outros
quaisquer. O que hoje são e aquilo a que se dedicam não se resume tão
facilmente, embora possamos tentar encontrar uma tímida explicação na trágica
convergência de certos eus e de determinadas circunstâncias. Aos idiotas, ainda
por cima, calhou-lhes Bồ Đào
Nha como país, um pedaço de terra que lhes impõe uma visão do mundo
apocalíptica e irada, a de um presente desértico a cavalgar para um futuro
impossível, estilhaçado pela corrupção e por uma montanha compacta de
sobreposições non sense. Os idiotas poderiam ter permanecido assim, em desequilíbrio
perfeito, para sempre, mas a chegada de Helen, uma mulher misteriosa e dorida,
vem catalisar o inevitável.
Romance futurista? Não... Os idiotas acontece hoje, aqui e agora. Os idiotas
acontece-nos. ‘O que quer que sejamos, somo-lo por oposição aos cretinos, que
são o resto das pessoas' diz, algures, o Lúcio. E, se calhar, diz bem.»
O AUTOR
Um ex-baixista que depois de ter enterrado duas revistas resolveu pôr-se a
escrever romances — e com isso provavelmente cavou a sua própria sepultura.
Rui Ângelo Araújo (Pedras Salgadas, 1968)
Fundou e dirigiu o 'Eito Fora – Jornal de Vilarelho' (1998-2002), uma
publicação cultural da região de Trás-os-Montes, mas que não cabia nela.
Posteriormente, fundou e dirigiu a revista literária, artística e crítica
'Periférica' (2002-2006), a 'new yorker portuguesa', com distribuição nacional
e hipérboles ibéricas (‘la mejor revista cultural lusa se 'cuece' en una aldea
remota’, jurava o ‘El Mundo’). Escreveu algumas dezenas de contos e três
romances, todos afinal indignos de ‘imprimatur’. Mantém o blogue 'Os Canhões de
Navarone', onde verbera o país ou se senta a observar a vida selvagem em volta.
Numa era remota tocou viola-baixo. Hoje… Hoje vacila no seu desempenho do
Quixote, mas a culpa é da realidade.
NÃO HAVERÁ BORLAS
Agora que o livrito está a sair da tipografia, impõe-se o aviso: atendendo ao
meu compromisso com a editora (o de enriquecermos ambos rapidamente), não
haverá borlas na distribuição de 'Os Idiotas'. Sendo em parte catalogável como
um divertimento, o livro é para ser levado tão a sério quanto os divertimentos
de Mozart (embora o leitor possa tossir e, sobretudo, bater palmas a meio dos
capítulos). Ninguém precisa de smoking para assistir a 'Os Idiotas' — mas
precisa de comprar bilhete.
Disponível na Traga-Mundos
– livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... |
Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila
Rial...