Este trabalho resulta duma abordagem antropológica da mudança
social e das transformações sócio-culturais ocorridas em Sendim, vila
transmontana do Planalto Mirandês, tomando como ponto de partida a
evolução paradoxal de dois indicadores – o decréscimo populacional e o
aumento do número de fogos, desde meados do séc. XX até ao início do
séc. XXI. Esta pesquisa desenrolou-se em torno de uma realidade social,
complexa e, até certo ponto, paradoxal – uma aldeia próspera, com uma
população em decréscimo – que se procurou desmontar a partir de vários
planos de observação, olhando-a a partir das suas pessoas, dos seus
grupos domésticos, das suas casas e das suas festas. O contacto com o
terreno, nas sucessivas fases do trabalho de campo, foi a pouco e pouco
quebrando o mutismo da paisagem, das casas e dos rostos, cujas histórias
iam dando voz à história da aldeia. Deste conhecimento próximo nasceu a
preocupação central de fazer o registo da memória, que se procurou
manter ao longo da pesquisa, conferindo-lhe, mesmo, um certo carácter de
urgência – havia que registar um tempo de memória, relativamente
abandonado pela generalidade dos cientistas sociais, demasiado longínquo
para os sociólogos e demasiado recente para os historiadores.
Índice:
Agradecimentos
Apresentação
Introdução
A experiência de um terreno familiar
Interrogações da pesquisa
A abordagem da mudança social – fontes e métodos
Sobre o «Censo94»
Sobre as observações
Sobre as entrevistas
Fontes locais
Um primeiro olhar sobre Sendim
I. Contexto Regional
Sendim em Terras de Miranda
As arribas do Douro e Espanha mesmo ao lado
O espaço da freguesia
Paisagem agrária
Uma inovação controversa – vacas turinas
Campos de cultivo e produção agrícola
Evolução populacional – Terras de Cima / Terras de Baixo
II. De Aldeia a Vila (Anos 40 / Anos 90)
Casas e habitantes
A presença na vila – residentes permanentes e episódicos
Actividades e profissões (anos 40 / anos 90)
Instrução e mobilidade social (anos 40 / anos 90)
Estrutura etária da população (anos 40 / anos 90)
III. Partir ou Ficar – Factores e Protagonistas da Mudança
A construção das barragens e o seu impacto na aldeia
A grande evasão e o retorno
Estrutura ocupacional e hierarquia social
A aldeia de camponeses dos anos 40
Proprietários, lavradores e jornaleiros
Domésticas e filhos de família
IV. Vidas Cruzadas na História da Aldeia
A terra e o trabalho: uma família de lavradores abastados
Dinheiro e instrução – o grupo emergente dos comerciantes
Mudança social e novas configurações familiares
Trajectórias familiares dos filhos de família
O infortúnio da irmã mais velha
Agricultores plenos e pluriactividade
V. A Vila que se Urbaniza: da Terra à Casa
Declínio da agricultura e novos ofícios
Emigração e construção civil – o apogeu dos anos 80
Casas e grupos sociais na vila dos anos 90
Os «filhos da terra» ausentes
Os «doutores»
Os «regressados»
Os «aldeãos»
«Os das vacas»
Os «ciganos»
Tradição e modernidade: uma vila a dois tempos
VI. Tempos de Festa
Trabalho e sociabilidades
Do ajuste de contas ao piquenique familiar – a festa da Trindade
Santa Bárbara, protectora do cereal e as novas colheitas
Juntar todos os sendineses – Santa Bárbara em Agosto
A entrega da festa
Organização da festa – antigas e novas mordomias
Ir para ver – a festa “espectáculo”
Vila de Verão / vila de Inverno
VII. Conclusões
Posfácio – A Vila Revisitada
Bibliografia
Anexo
Agradecimentos
Apresentação
Introdução
A experiência de um terreno familiar
Interrogações da pesquisa
A abordagem da mudança social – fontes e métodos
Sobre o «Censo94»
Sobre as observações
Sobre as entrevistas
Fontes locais
Um primeiro olhar sobre Sendim
I. Contexto Regional
Sendim em Terras de Miranda
As arribas do Douro e Espanha mesmo ao lado
O espaço da freguesia
Paisagem agrária
Uma inovação controversa – vacas turinas
Campos de cultivo e produção agrícola
Evolução populacional – Terras de Cima / Terras de Baixo
II. De Aldeia a Vila (Anos 40 / Anos 90)
Casas e habitantes
A presença na vila – residentes permanentes e episódicos
Actividades e profissões (anos 40 / anos 90)
Instrução e mobilidade social (anos 40 / anos 90)
Estrutura etária da população (anos 40 / anos 90)
III. Partir ou Ficar – Factores e Protagonistas da Mudança
A construção das barragens e o seu impacto na aldeia
A grande evasão e o retorno
Estrutura ocupacional e hierarquia social
A aldeia de camponeses dos anos 40
Proprietários, lavradores e jornaleiros
Domésticas e filhos de família
IV. Vidas Cruzadas na História da Aldeia
A terra e o trabalho: uma família de lavradores abastados
Dinheiro e instrução – o grupo emergente dos comerciantes
Mudança social e novas configurações familiares
Trajectórias familiares dos filhos de família
O infortúnio da irmã mais velha
Agricultores plenos e pluriactividade
V. A Vila que se Urbaniza: da Terra à Casa
Declínio da agricultura e novos ofícios
Emigração e construção civil – o apogeu dos anos 80
Casas e grupos sociais na vila dos anos 90
Os «filhos da terra» ausentes
Os «doutores»
Os «regressados»
Os «aldeãos»
«Os das vacas»
Os «ciganos»
Tradição e modernidade: uma vila a dois tempos
VI. Tempos de Festa
Trabalho e sociabilidades
Do ajuste de contas ao piquenique familiar – a festa da Trindade
Santa Bárbara, protectora do cereal e as novas colheitas
Juntar todos os sendineses – Santa Bárbara em Agosto
A entrega da festa
Organização da festa – antigas e novas mordomias
Ir para ver – a festa “espectáculo”
Vila de Verão / vila de Inverno
VII. Conclusões
Posfácio – A Vila Revisitada
Bibliografia
Anexo
A AUTORA:
Ana Isabel Afonso é antropóloga, doutorada em Antropologia Social e
Cultural pela FCSH – Universidade Nova de Lisboa, leccionando no
departamento de Antropologia desde 1985. É também membro integrado do
CesNova, tendo como principais interesses de pesquisa a Mudança Social, a
Antropologia Aplicada, os Estudos de Impacto Social, a Antropologia do
Ambiente. Participou recentemente num projecto internacional sobre
políticas energéticas e políticas ambientais relacionado com a
implantação de Parques Eólicos no país. Bolseira Fulbright-Schuman, como
Professora Visitante na Universidade de Massachusetts-Amherst, no
semestre sabático 2013/14. Tem colaborado em conferências e colóquios
nacionais e internacionais e publicado livros e artigos em revistas da
especialidade, com base na pesquisa aprofundada realizada em
Trás-os-Montes, de onde se destaca Working Images, editado na Routledge,
em 2004.



![Foto: “Pairavam Abutres nas Arribas” de Mário Correia
«E quando no cimo da Rua da Igreja lhes saiu ao caminho o compadre regedor, Germán García – o Germano, como sempre lhe chamavam na aldeia da Freixiosa – não correspondeu à sua saudação e, olhando-o com desprezo, exclamou:
- Seu merdas! Seu merdas!
O compadre regedor nunca tinha visto tamanho ódio e desprezo na cara do Germán García e afastou-se sem nada mais dizer, acelerando o passo. Ninguém reparou mas sob as arribas pairavam abutres.»
Novela histórica cuja acção decorre em tempos da Guerra Civil de Espanha, vivida na aldeia raiana de Freixiosa (concelho de Miranda do Douro) e baseada em factos verídicos relatados por alguns dos seus habitantes, recolhidos pelo autor entre os anos de 1997 e 2012.
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis os seguintes títulos do autor: “Toques de Sinos na Terra de Miranda” – contém CD-ROM, “Histórias de Vida dos Gaiteiros do Planalto Mirandês ...Que de Fol’gaita Tocavam” e “Tamborileiros & Fraiteiros da Terra de Miranda”]](https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/p480x480/601479_634164363282092_1515888174_n.jpg)