segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Audácia, de Damas da Silva

«Numa aldeia do Alto Douro, os jovens não encontravam meios de lá governar a vida. Partiam e não voltavam. Os habitantes viam que, na sua terra, estavam a ficar sós e velhos. Só o Verão trazia movimento, com os que regressavam de férias.»

“Cassiano Augusto e a mulher conversavam com pessoas sexagenárias, como eles, que se sentavam ao lado e em frente. Ficaram esclarecidos de que muita daquela gente, principalmente dos jovens. Ia mas não voltava. Alguma regressava de férias para os países onde estava emigrada. Outra não ia para férias, ia definitivamente para Lisboa, Porto, Aveiro ou para outra cidade do litoral, que lhe acenasse com algum emprego. Todos constatavam que nas suas terras, estavam a ficar só os velhos. Os jovens não encontravam meio de lá governar a vida. Largavam pelo mundo fora. Também eles tinham cinco filhos, mas todos viviam pelas terras da capital.”

O autor, Damas da Silva, é escritor e jornalista, e nasceu a vinte de Março de 1941, no lugar do Salgueiral, freguesia de Godim, concelho de Peso da Régua, distrito de Vila Real – em Trás-os-Montes e Alto Douro.

Editor: Garça
Ano de edição: 2007
Tipo de artigo: Livro

Número de páginas: 174

Preço: 12,10 €


                                                    Foto: “Audácia” de Damas da Silva

«Numa aldeia do Alto Douro, os jovens não encontravam meios de lá governar a vida. Partiam e não voltavam. Os habitantes viam que, na sua terra, estavam a ficar sós e velhos. Só o Verão trazia movimento, com os que regressavam de férias.»

“Cassiano Augusto e a mulher conversavam com pessoas sexagenárias, como eles, que se sentavam ao lado e em frente. Ficaram esclarecidos de que muita daquela gente, principalmente dos jovens. Ia mas não voltava. Alguma regressava de férias para os países onde estava emigrada. Outra não ia para férias, ia definitivamente para Lisboa, Porto, Aveiro ou para outra cidade do litoral, que lhe acenasse com algum emprego. Todos constatavam que nas suas terras, estavam a ficar só os velhos. Os jovens não encontravam meio de lá governar a vida. Largavam pelo mundo fora. Também eles tinham cinco filhos, mas todos viviam pelas terras da capital.”

O autor, Damas da Silva, é escritor e jornalista, e nasceu a vinte de Março de 1941, no lugar do Salgueiral, freguesia de Godim, concelho de Peso da Régua, distrito de Vila Real – em Trás-os-Montes e Alto Douro.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também os títulos “Conto de Natal”, “O brilho da esmeralda” e “Estórias do Dr. Mocho”]







sábado, 28 de setembro de 2013

Não Haverá Amanhã,de Magalhães Pinto

 «Lê-se este livro em descontraído convívio com as pessoas que o habitam. Ao livro e à aldeia. Este livro é uma realidade que a ficção não destrói. Tem o sabor do saber. Mistura a terra das suas raízes com a grande política. Grande no sentido global, porque a pequenez da intriga é igual em Lisboa, em Sanhoane, na Azenha, em Medrões, Santa Marta, Régua, Vila Real ou no Porto. Foi esta escala que Magalhães Pinto soube traçar e relativizar para demonstrar que o mimetismo paroquial é também global. E vice-versa. Mas a história não acontece num território qualquer. Os livros também têm cheiro. E este tem todos os sabores do Douro. Xistos, socalcos, estradas às curvas, vinhedos pendurados na paisagem e uma fantástica mistura de realidade imaterial com aquela fantasia verdadeira que só o imaginário popular consegue produzir. Porque este livro tem, sobretudo, pessoas vivas que saltam das páginas como personagens de ficção. Que nós reconhecemos automaticamente como figuras reais do pesadelo político nacional.» Carlos Magno, in Prefácio 

Com uma pequena freguesia, Sanhoane, como pano de fundo, este romance de Magalhães Pinto transporta os cheiros, as cores e as texturas do Douro.
É neste cenário aparentemente idílico que o leitor irá descobrir uma visão nada abonatória da política e dos políticos, percorrendo os bastidores a que o comum cidadão não tem acesso.
As personagens e os acontecimentos narrados pertencem ao domínio da ficção, mas o retrato do nosso país revela-se perturbadoramente real. Não Haverá Amanhã é um livro de cabeceira indispensável para os que governam e os que são governados.
.
                                     Foto: “Não Haverá Amanhã” de Magalhães Pinto

«Lê-se este livro em descontraído convívio com as pessoas que o habitam. Ao livro e à aldeia. Este livro é uma realidade que a ficção não destrói. Tem o sabor do saber. Mistura a terra das suas raízes com a grande política. Grande no sentido global, porque a pequenez da intriga é igual em Lisboa, em Sanhoane, na Azenha, em Medrões, Santa Marta, Régua, Vila Real ou no Porto. Foi esta escala que Magalhães Pinto soube traçar e relativizar para demonstrar que o mimetismo paroquial é também global. E vice-versa. Mas a história não acontece num território qualquer. Os livros também têm cheiro. E este tem todos os sabores do Douro. Xistos, socalcos, estradas às curvas, vinhedos pendurados na paisagem e uma fantástica mistura de realidade imaterial com aquela fantasia verdadeira que só o imaginário popular consegue produzir. Porque este livro tem, sobretudo, pessoas vivas que saltam das páginas como personagens de ficção. Que nós reconhecemos automaticamente como figuras reais do pesadelo político nacional.» Carlos Magno, in Prefácio

Com uma pequena freguesia, Sanhoane, como pano de fundo, este romance de Magalhães Pinto transporta os cheiros, as cores e as texturas do Douro.
É neste cenário aparentemente idílico que o leitor irá descobrir uma visão nada abonatória da política e dos políticos, percorrendo os bastidores a que o comum cidadão não tem acesso.
As personagens e os acontecimentos narrados pertencem ao domínio da ficção, mas o retrato do nosso país revela-se perturbadoramente real. Não Haverá Amanhã é um livro de cabeceira indispensável para os que governam e os que são governados.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 280
Editor: Âncora Editora




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Contos do Vale da Promissão


«Com efeito, o que o divino Miguel Torga apelidou amorosamente de Reino Maravilhoso, só o é porque o transmontano humílimo, determinado e trabalhador, não aceitou deixar-se suspender da cruz da vida com os cravos da ignorância e do atavismo.
Nem que fosse preciso moer pedra para comer pão! (...)
Dignidade com que hoje, disperso pelos quatro cantos do mundo, olha a vida, não lhe foi oferecida, antes conquistada a pulso. Nem ele poderia aceitar coisa que não merecesse! A honra sempre foi a única moeda com que o transmontano admitiu o pagamento do seu esforço.»

...uma sucessão de memórias...ou de contos...ou de lendas... Mas o que feriu a memória, o que modelou o conto, o que transformou a lenda, é autêntico. E foi para que o tempo dos homens não esquecesse e a poeira dos séculos não ocultasse que isto se escreveu. A eternidade é, também, isso...

Carlos Carvalheira nasceu em Trancoso. 
Possui a licenciatura em Direito (Coimbra), a Pós-graduação em Direito Europeu (Nancy – França) e o Diploma Superior de Estudos Franceses (Nancy – França). 
Fez estágios profissionais no Tribunal de Justiça da União Europeia (Luxemburgo), na Comissão da União Europeia (Bruxelas), no Parlamento Europeu (Estrasburgo). 
No MF e no MNE coordenou, durante vários anos, as posições sectoriais com vista à negociação, no quadro da União Europeia, de vários dossiers (transportes, mercado interno, Europa dos cidadãos, controlo nas fronteiras, reconhecimento de diplomas, protecção civil, serviços de informação, direito de estabelecimento, livre circulação...) e de diversos elementos de Direito Derivado (Regulamentos, Directivas, Decisões...). 
Integrou o Grupo Ad-Hoc Imigração, assim como as delegações portuguesas às reuniões dos Grupos do Conselho de Ministros. Coordenou todo o processo relativo à notificação do direito nacional adaptado. 
No Instituto da Juventude, chefiou a Divisão de Relações Internacionais e integrou e chefiou as delegações para negociação de programas com diversos países (Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, França, Guiné Bissau, Cabo Verde...). Participou na Primeira Presidência Portuguesa da União Europeia (1992), onde prestou apoio ao Presidente do Grupo do sector. 
Exerceu, durante vários anos, as funções de Secretário do Governo Civil da Guarda. 
Foi conferencista e formador em colóquios, conferências, acções de formação e seminários essencialmente em matéria de Direito Comunitário e de integração de Portugal na União Europeia. 
Escreveu para jornais de âmbito nacional e local. Tem escrito trabalhos para inclusão na Colecção Fios da Memória. 
Leccionou, durante vários anos, a cadeira de Direito Europeu e Cidadania, na Universidade Sénior da Guarda.


                  Foto: “Contos do Vale da Promissão” de Carlos Carvalheira

«Com efeito, o que o divino Miguel Torga apelidou amorosamente de Reino Maravilhoso, só o é porque o transmontano humílimo, determinado e trabalhador, não aceitou deixar-se suspender da cruz da vida com os cravos da ignorância e do atavismo.
Nem que fosse preciso moer pedra para comer pão! (...)
Dignidade com que hoje, disperso pelos quatro cantos do mundo, olha a vida, não lhe foi oferecida, antes conquistada a pulso. Nem ele poderia aceitar coisa que não merecesse! A honra sempre foi a única moeda com que o transmontano admitiu o pagamento do seu esforço.»

 ...uma sucessão de memórias...ou de contos...ou de lendas... Mas o que feriu a memória, o que modelou o conto, o que transformou a lenda, é autêntico. E foi para que o tempo dos homens não esquecesse e a poeira dos séculos não ocultasse que isto se escreveu. A eternidade é, também, isso...

Carlos Carvalheira nasceu em Trancoso. 
Possui a licenciatura em Direito (Coimbra), a Pós-graduação em Direito Europeu (Nancy – França) e o Diploma Superior de Estudos Franceses (Nancy – França). 
Fez estágios profissionais no Tribunal de Justiça da União Europeia (Luxemburgo), na Comissão da União Europeia (Bruxelas), no Parlamento Europeu (Estrasburgo). 
No MF e no MNE coordenou, durante vários anos, as posições sectoriais com vista à negociação, no quadro da União Europeia, de vários dossiers (transportes, mercado interno, Europa dos cidadãos, controlo nas fronteiras, reconhecimento de diplomas, protecção civil, serviços de informação, direito de estabelecimento, livre circulação...) e de diversos elementos de Direito Derivado (Regulamentos, Directivas, Decisões...). 
Integrou o Grupo Ad-Hoc Imigração, assim como as delegações portuguesas às reuniões dos Grupos do Conselho de Ministros. Coordenou todo o processo relativo à notificação do direito nacional adaptado. 
No Instituto da Juventude, chefiou a Divisão de Relações Internacionais e integrou e chefiou as delegações para negociação de programas com diversos países (Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, França, Guiné Bissau, Cabo Verde...). Participou na Primeira Presidência Portuguesa da União Europeia (1992), onde prestou apoio ao Presidente do Grupo do sector. 
Exerceu, durante vários anos, as funções de Secretário do Governo Civil da Guarda. 
Foi conferencista e formador em colóquios, conferências, acções de formação e seminários essencialmente em matéria de Direito Comunitário e de integração de Portugal na União Europeia. 
Escreveu para jornais de âmbito nacional e local. Tem escrito trabalhos para inclusão na Colecção Fios da Memória. 
Leccionou, durante vários anos, a cadeira de Direito Europeu e Cidadania, na Universidade Sénior da Guarda.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Mulher do Chapéu de Palha,de Graça de Morais


Quando a política estava na ordem do dia, uma mulher nem nova nem velha sai de casa para ir à praia. À luz clara da manhã, rememora a sua vida. «O que poderá ter para mim ainda um sentido?», interroga-se na viagem de eléctrico que a leva de Leça ao mercado de Matosinhos. Aí, um vendedor apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males. No regresso, a nortada da tarde vai desagregando a seus olhos a limpidez que a manhã revelara no mar nas ruas e nas gentes. Outras impressões e devaneios infrutíferos a acompanham. Fantasia-se a viajar aos confins do universo correndo risco de vida para levar consigo esta pergunta: «por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?» Conto de recorte autobiográfico ou alegoria sobre a acção humana no mundo A Mulher do Chapéu de Palha constrói uma perturbadora imagem da dilaceração do sujeito.
«Por entre livros novos, livros, densos, livros de novos autores portugueses, livros de autores originários de países imprevisíveis, por vezes, aparece um ou outro livro que chama a atenção por um ou outro motivo. Pela capa, pelo aspecto gráfico no seu conjunto, pela idoneidade da editora, até, pelo tamanho. (...) Pequenino, estava mesmo a calhar para leitura depois do jantar. Em boa hora.
“A mulher bateu a porta de casa e saiu para a avenida”. Assim começa a prosa que nos poderia levar a todo o lado. Desde manhã que uma pergunta a assalta: “O que poderá ter para mim ainda um sentido?”
Graça Pina de Morais leva-nos a percorrer as ruas da cidade com cheiro a maresia, acompanhamo-la de eléctrico de Leça ao mercado de Matosinhos numa escrita não imune à sensibilidade feminina.
Pelo caminho depara-se com um vendedor que apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males.
A sua cabeça não pára. A imaginação leva-a a outros mundos. E uma pergunta não lhe sai da cabeça: “por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?”
Sines, 16 de Junho de 2012, Joaquim Gonçalves [livraria A das Artes]

                                                  Foto: “A Mulher do Chapéu de Palha” de Graça Pina de Morais

Quando a política estava na ordem do dia, uma mulher nem nova nem velha sai de casa para ir à praia. À luz clara da manhã, rememora a sua vida. «O que poderá ter para mim ainda um sentido?», interroga-se na viagem de eléctrico que a leva de Leça ao mercado de Matosinhos. Aí, um vendedor apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males. No regresso, a nortada da tarde vai desagregando a seus olhos a limpidez que a manhã revelara no mar nas ruas e nas gentes. Outras impressões e devaneios infrutíferos a acompanham. Fantasia-se a viajar aos confins do universo correndo risco de vida para levar consigo esta pergunta: «por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?» Conto de recorte autobiográfico ou alegoria sobre a acção humana no mundo A Mulher do Chapéu de Palha constrói uma perturbadora imagem da dilaceração do sujeito.

«Por entre livros novos, livros, densos, livros de novos autores portugueses, livros de autores originários de países imprevisíveis, por vezes, aparece um ou outro livro que chama a atenção por um ou outro motivo. Pela capa, pelo aspecto gráfico no seu conjunto, pela idoneidade da editora, até, pelo tamanho. (...) Pequenino, estava mesmo a calhar para leitura depois do jantar. Em boa hora.
“A mulher bateu a porta de casa e saiu para a avenida”. Assim começa a prosa que nos poderia levar a todo o lado. Desde manhã que uma pergunta a assalta: “O que poderá ter para mim ainda um sentido?”
Graça Pina de Morais leva-nos a percorrer as ruas da cidade com cheiro a maresia, acompanhamo-la de eléctrico de Leça ao mercado de Matosinhos numa escrita não imune à sensibilidade feminina.
Pelo caminho depara-se com um vendedor que apregoa por um funil de lata um xarope para todos os males.
A sua cabeça não pára. A imaginação leva-a a outros mundos. E uma pergunta não lhe sai da cabeça: “por que motivo os seres humanos se brutalizam uns aos outros?”
Sines, 16 de Junho de 2012, Joaquim Gonçalves [livraria A das Artes]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também da autora os títulos “O Pobre de Santiago”, “A Origem” e “Jerónimo e Eulália”]

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Gramática da Língua Portuguesa




A 2.ª edição da nossa gramática já está impressa e, a partir de amanhã, estará disponível no mercado. Se não a encontrarem na livraria que frequentam podem encomendá-la aí, na Wook ou diretamente à Âncora Editora.