quinta-feira, 17 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
DICIONÁRIO DE FALARES DO ALENTEJO, NO PRELO
Um cheirinho do nosso Dicionário
TALOCA, s.f.
1 Toca, buraco (Elvas). 2 Pequena cova feita no chão para alguns
jogos de rapazes (Montemor-o-Novo – PJ). 3 Caule duro e oco (Beja - MJD).
TALOCADA, s.f. Pancada dada com taloca (Beja - MJD).
TALOCHO, s.m. Tabuleiro raso, no
qual os pedreiros colocam a massa para rebocar as paredes (Barrancos).
TALOCO (Ô), s.m.
Talo da couve (Mértola).
TALONQUEIRAS, s.f.pl.
Defeitos, faltas encobertas (JPM).
TALOUCADA, s.f.
Pancada (Portalegre - DB).
TAL OU QUÊ, loc. adv.
Assim-assim, nem bem nem mal.
TALUDO, adj. Crescido, grande,
forte (Serpa).
TAMALAVEZ, adj.
De algum modo, de alguma maneira; dificilmente (S. Geraldo - Montemor-o-Novo).
TAMARÊS, s.f. Casta de uva branca
(Elvas – TP).
TAMBAQUE, s.m.
1 Metal de qualidade inferior com que se imita o ouro em objectos de
enfeite; coisa sem valor (GAS). 2 Peça da roda do oleiro (Évora).
TAMBOLARÃO, s.m.
Tambor grande (Elvas - TP).
TAMBOR, s.m.
Indivíduo fraco em quem toda a gente bate ou diz mal.
TAMEIRA (Á), s.f.
Esconderijo para a espera da caça; tabana
(Castro Verde).
TAMIÇAS, s.m.
Homem muito fraco (GAS).
TAMOEIRO, s.m.
1 Bico no meio do arco da canga.
2 Peça de couro que segura o cabeçalho
ou o timão do arado à canga (Elvas). 3 Tumefacção dura
(Évora – MGF).
TANAZ, s.f.
O m.q. tenaz (Cuba).
TANCHÃO, s.m.
1 Estaca de azinho com que se segura a rede que veda o recinto onde o gado
dorme, ao ar livre (JPM). 2 Espécie de alvião (JPM).
TANCHAR, v.
tr. e int. 1 Dar bicadas num pião com o bico de outro pião. 2 Espetar
(Baixo Alentejo).
TANCHOEIRA, s.f.
Espécie de alvião (GAS).
TANGALHÃO, s.m. Pau mal jeitoso
(Elvas – TP).
TANGANHADA, s.f.
Aperto de mão, mãozada (Baixo Alentejo).
TANGANHO, s.m.
1 Varapau (Elvas – TP). 2 Pl. Pequenos ramos secos; cavacos
(Baixo Alentejo). 3 Os dedos da mão (Baixo Alentejo).
TANGANHONA, adj. Diz-se da mulher
desajeitada, nada atraente (Escusa – Marvão – MFS).
TANGLOMANGO, s.m.
Doença súbita, normalmente atribuída a bruxaria.
TANGO, s.m.
Trabalho de lavoura e, em especial, o manejo do arado (Elvas - TP).
TANGURINO, s.m. Almece (Mina da
Juliana – Aljustrel – MJD).
TANIÇA, s.f.
e s. 2 gén. 1 Cordel delgado (JPM). 2 Pessoa muito magra (JPM).
TAPA-CU, s.m.
Pedaço de pele ou de couro para cobrir as nádegas no vão deixado pelos safões (Alandroal - LV).
TAPADA, s.f.
1 Lago (Mina de S. Domingos - Mértola). 2 Propriedade rural, relativamente pequena, a pouca distância da
povoação, murada (Arronches).
TAPIÇO, s.m.
1 Tudo o que serve para tapar. 2 Almofada em que assenta a canga (Sta. Vitória do Ameixial –
Estremoz – LC).
TAPILHO, s.m. O m.q. caniço (Alandroal – LV).
TAPINO, s.m. Pequena tampa, rolha
(Barrancos – MJD).
TAPUM, s.m. Tapume, parede, bardo
(Moura).
TAQUINHO, s.m.
Pequeno cálice de whisky, etc. (Salvada - Beja).
TARABECOS, s.m.pl.
Trastes caseiros, tarecos; mobiliário de pouco valor (Alandroal - LV).
TARALHONA, s.f. Automotora (Baixo
Alentejo).
TARAMELO, s.m.
Espécie de doença dos porcos.
TARANTA, adj. Aparvalhada (Elvas –
TP).
TARARA, s.f. Pequena máquina,
provida de ventoinhas, com que se limpam, a braços, cereais e legumes (Elvas –
JSP).
TARASCA, adj. Coscuvilheiro
(Portalegre).
TARDÃO, s.f.
Aquele que, montado na besta, transportava a comida para os ceifeiros (Elvas - FG).
TARECA, s.
2. gén. Pessoa que disparata por tudo e por nada (GAS).
TARECO, s.m.
Chocalho pequeno (Gavião – PJ).
TAREFA, s.f.
1 Vasilha para água, azeite, etc. (Vila Viçosa). 2 Bilha grande,
quase pote (Mourão – AMS). 3 Trabalho. 4 Pedaço de madeira
fininha (Aljustrel).
TAREIA, s.f.
Empreitada (Aljustrel).
TARELHO (Ê), s.m.
Burro pequeno, que ainda mama (Montemor-o-Novo - PJ).
TARIMBA, s.f.
1 Porca velha. 2 Cama tosca (Baixo Alentejo).
TARIMBECOS, s.m.pl.
O m.q. tarabecos (Elvas).
TAROCADA, s.m. Pancada com taroco (Baixo Alentejo).
TAROCHO, adj. Feio (Grândola).
TAROCO (Ô), s.m.
Pedaço de lenha; bocado de madeira velha; pau (Baixo Alentejo).
TAROLA, s.f.
Cabeça, juízo (Ourique).
TAROLEIRO, adj. Que não tem juízo
(Baixo Alentejo).
TAROLO (Ô), s.m.
O m.q. taroco.
TARONGO, s.m. Pequeno bolo oblongo
de farinha dos restos da amassadura (MJD).
TARONJO, adj.
e s. 2 gén. Pessoa apatetada, amalucada (Reguengos - MGF).
TARRABÁZIA, s.f.
Algazarra, confusão (Serpa - PJ).
TARRAÇADA, s.f.
Grande quantidade de comida ou bebida (Beja).
TARRACEAR, v. tr. 1 Comer,
petiscar. 2 Conversar (Baixo Alentejo).
TARRACHO, adj. Diz-se do indivíduo
muito feio (Alcácer do Sal).
TARRACO, s.m.
1 Homem baixo, atarracado. 2 Tarro
grande. 3 Coisa ou utensílio sem préstimo (Beja).
TARRAÇO, s.m.
Tarro grande. Objecto; qualquer
utensílio (Barrancos – MJD).
TARRADA, s.f.
Quantidade de líquido ou alimento que o tarro
pode conter (Alentejo Central).
TARRAFA, s.f. Rede de rio; o m.q. atarrafa (Estremoz; Marvão).
TARRAFADA, s.f. 1 Acto súbito
de lançar a tarrafa. 2 Pancada.
TARRAFEIRA, s.f.
Tamargueira.
TARRAFIAS, s.f.pl. Diabruras, maus
tratos (Évora – MGF).
TARRECA, s.f. TARRECO, s.m. Pequena panela ou vasilha de barro.
TARRETA (Ê), s.f.
O m.q. tarro; porém nalguns sítios
designa meio tarro ou tarro pequeno (JPM).
TARRETO, s.m.
O m.q. tarro (JPM).
TARRINCAR, v.
int. Ranger os dentes (Alandroal). Observação: este vocábulo também é de
uso frequente em Trás-os-Montes.
TARRO, s.m.
1 Marmita de cortiça, com tampa e asa, em que se conserva a comida
quente (Alandroal). 2 Recipiente de barro ou de metal para o leite (Mourão
- AJF).
TARROTE, s.m.
Lata ou latão onde se aquece água para a barrela (Moura).
TARSALHO, s.m.
Pedaço, bocado (Mora – GAS).
TARTADIO, adj.
Atrasado, demorado (JPM).
TARTANA, s.f.
Carroção ou carro de canudo, com toldo e aberto nos dois
topos (JPM).
TARTANHA, s.f.
O m.q. tartana (GAS).
TARTARANHÃO-CAÇADOR,
s.m. Espécie de falcão (Castro Verde).
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
DOURO
Georges Dussaud oferece-nos neste livro,
«através de um olhar exterior e contemporâneo, uma outra proposta de
leitura da singularidade da região duriense.
Registando a beleza da paisagem e as particularidades das suas quintas, esta coleção de fotografias constitui mais uma evocação do Douro.
A incorporação de novas interpretações artísticas do território
torna-se, simultaneamente, elemento da sua vivência e garantia da sua
perenidade.» Elisa Pérez Babo, Presidente da Fundação Museu do Douro
«O trabalho de Georges Dussaud sobre o Douro emerge de um fascínio único pela paisagem e quotidiano do Homem Duriense. (...)
Este trabalho fotográfico, iniciado em abril de 1985, capta não só o
Douro das «paisagens vertiginosas» mas os rostos de quem a trabalha, de
quem deixou a sua marca nas palavras ou no vinho, como é o caso de
Miguel Torga ou José António Rosas. Lembra-nos que são as pessoas que
fazem os lugares, as identidades e as memórias.
A sensibilidade da
visão do fotógrafo, projetada nas captações do sentir os espaços, as
tradições e as vivências, os rostos e os gestos das pessoas que viajam
por estas imagens, providencia o encontro com realidades sociais e
psicológicas da época perante a influência de um olhar analítico e
reinterpretativo, de uma maneira própria de olhar o mundo, de um
humanismo inabalável.» Exposição de Fotografia "O Douro de Georges
Dussaud", Museu do Douro
domingo, 13 de outubro de 2013
Agora, Nós
São estas as crónicas, mais ou menos efémeras,
mas jamais desprovidas de valores e mensagens, que aqui vos deixo,
escritas com a liberdade que se exige a quem escreve para si a falar de
nós, impondo-se ao objectivo de ser útil
ao leitor e à sociedade, aos que concordam e, sobretudo, aos que
discordam de uma forma de dizer ou de pensar as coisas que encontramos
nas esquinas da realidade, ou, por qualquer razão nos entram pela
existência adentro.
«Gosto muito da escrita de José
Braga-Amaral. O cuidado que põe na escrita possui algo de extremoso,
porque resulta de um acto de amor e de uma demonstração de grandeza.
Amor pela língua, grandeza em a desposar no imemorial leito da criação.»
José Braga – Amaral nasceu em Paranhos – Porto em 20/02/1959. Filho do
médico duriense Manuel Costa Amaral, desde muito cedo começou com a sua
actividade literária no e sobre o Douro, que conheceu a partir dos onze
anos de idade, onde nunca deixou de residir, não obstante a sua passagem
pela cidade do Porto por razões académicas, vivendo e convivendo em
casa do ilustre médico e filósofo Leonardo Coimbra (filho), durante a
sua adolescência e juventude. É quando vai viver para a cidade de Braga
(1991/1995), que se torna colaborador do diário Correio do Minho, onde
desempenha as funções de cronista semanal, que a mesma editora se propôs
mais tarde publicar em livro. Em Braga, J. Braga – Amaral assume a sua
condição de escritor e aposta nas suas primeiras publicações sobre o
Douro e o Minho. O seu sortilégio é, no entanto, duriense, e do Douro
fala a maior parte da sua obra. Autor de ensaios sobre João de Araújo
Correia, Miguel Torga, Guedes de Amorim, entre outros durienses. Tem
cerca de 19 obras publicadas de poesia, crónicas, contos, romance e
teatro. Desempenhou as funções de Assessor Cultural e para a Comunicação
Social do Presidente da Câmara Municipal de Peso da Régua, bem como a
coordenação do gabinete de imagem da autarquia e a coordenação da
revista municipal Villa Regula. Foi membro do Gabinete de Projecto do
Museu do Douro, liderado pelos professores Gaspar Martins Pereira e
Teresa Soeiro, entre 2000 e 2004. É desde 1995 encenador e fundador da
companhia de teatro Roga D’Arte – Teatro do Alto Douro. É fundador e
membro da Confraria da Palavra Dita. Em 2002 funda, com mais alguns
confrades, a Tertúlia de João de Araújo Correia, na cidade de Peso da
Régua. Desde 2003, é fundador da Garça Editores, e director – adjunto,
jornalista e editor da revista Tribuna Douro; é ainda escritor da
editora «Campo das Letras». Desde 2005 é Técnico Profissional de
Arquivos/Arquivista.
sábado, 12 de outubro de 2013
O Diabo e as Cinzas
![Foto: “O Diabo e as Cinzas” de António Tiza
Os rituais da máscara são o fundamento e a linha condutora deste conjunto de 13 contos.
São rituais litúrgicos da religiosidade do povo nordestino, celebrados no tempo hiemal, o tempo das noites longas e frias, das bruxas e diabos, dos caretos e máscaros, das fogueiras que quebram a noitidão e das cinzas restantes do sacrifício sagrado que nem por isso deixam de ser simbolicamente valiosas para a fertilidade da Natureza. No decorrer da leitura, a tradição vigente e histórica afirma-se por si mesma e distingue-se claramente da ficção. Ambas convivem aqui em perfeita harmonia.
O autor estuda esta temática há três décadas, assistiu à sua evolução – real e inevitável – e ficcionou histórias verídicas, que ajudam o leitor a compreender o “como” e o “porquê” desta evolução: a entrada das mulheres em rituais tradicionalmente masculinos, as rebeldias permitidas, as subversões salutares, os repugnantes oportunismos, o apelo da honra… Enfim, as vivências de um povo que, ciclicamente e por um período de três ou quatro dias, entrega o governo da comunidade nas mãos dos jovens: o rito iniciático imprescindível a um futuro sustentado em valores perenes.
António Tiza é natural de Varge (Bragança).
Estudou Teologia em Bragança e Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura. Defendeu a tese de doutoramento em Ciências Sociais na Faculdade de Educação da Universidade de Valladolid, em Espanha, com a classificação de «Sobresaliente cum laude». Foi professor do Ensino Básico, Secundário e Superior.
Foi presidente da Região de Turismo do Nordeste Transmontano (1998/2002). Actualmente desempenha as funções de presidente da direcção da Academia Ibérica da Máscara e vice-presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. É membro da Associação Portuguesa de Escritores.
«Nunca realçaremos suficientemente o papel que os rituais que atravessam estes contos e outras práticas similares tiveram na evolução das nossas sociedades e lhes transmitiram um carácter de sanidade ética que consegue manter a dignidade no meio da maior pobreza e de dificuldades sem fim. Gente condenada a lidar com a terra, as pedras e a fúria dos elementos para deles e contra eles sacar o sustento necessário, nunca se teria erguido na sua dignidade e criado uma ética que os fez sobreviver e ultrapassar os instintos mais básicos da sobrevivência, afirmando-se ainda hoje como um exemplo, não fossem estes e outros rituais similares que acabavam por fixar outros objectivos, reconstruir outros mundos e dar espaço ao sonho e à fé na capacidade e na possibilidade de mudança. António Tiza percebeu isso muito bem e esse não é o mérito menor desta colectânea de contos.» Amadeu Ferreira, do Prefácio
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[disponível também: “Festas de Inverno no Nordeste de Portugal – património, mercantilização e aporias da ‘cultura popular’” de Paula Godinho, “Por Detrás da Máscara – ensaio de antropologia de performance sobre os Caretos de Podence” de Paulo Raposo]](https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/p480x480/1383652_651658188199376_2030068979_n.jpg)
Os rituais da máscara são o fundamento e a linha condutora deste conjunto de 13 contos.
São rituais litúrgicos da religiosidade do povo nordestino, celebrados no tempo hiemal, o tempo das noites longas
e frias, das bruxas e diabos, dos caretos e máscaros, das fogueiras que
quebram a noitidão e das cinzas restantes do sacrifício sagrado que nem
por isso deixam de ser simbolicamente valiosas para a fertilidade da
Natureza. No decorrer da leitura, a tradição vigente e histórica
afirma-se por si mesma e distingue-se claramente da ficção. Ambas
convivem aqui em perfeita harmonia.
O autor estuda esta temática há
três décadas, assistiu à sua evolução – real e inevitável – e ficcionou
histórias verídicas, que ajudam o leitor a compreender o “como” e o
“porquê” desta evolução: a entrada das mulheres em rituais
tradicionalmente masculinos, as rebeldias permitidas, as subversões
salutares, os repugnantes oportunismos, o apelo da honra… Enfim, as
vivências de um povo que, ciclicamente e por um período de três ou
quatro dias, entrega o governo da comunidade nas mãos dos jovens: o rito
iniciático imprescindível a um futuro sustentado em valores perenes.
António Tiza é natural de Varge (Bragança).
Estudou Teologia em Bragança e Filosofia na Faculdade de Letras da
Universidade do Porto, tendo concluído a licenciatura. Defendeu a tese
de doutoramento em Ciências Sociais na Faculdade de Educação da
Universidade de Valladolid, em Espanha, com a classificação de
«Sobresaliente cum laude». Foi professor do Ensino Básico, Secundário e
Superior.
Foi presidente da Região de Turismo do Nordeste
Transmontano (1998/2002). Actualmente desempenha as funções de
presidente da direcção da Academia Ibérica da Máscara e vice-presidente
da Academia de Letras de Trás-os-Montes. É membro da Associação
Portuguesa de Escritores.
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 160
Editor: Âncora Editora
Preço de capa:16,00€
Preço Wook: 14,40€
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