«Não
deverá haver biblioteca escolar que se preze que não possua no seu
acervo algumas das edições deste livrinho de Guerra Junqueiro, publicado
pela primeira vez em 1877 - sob o título de CONTOS PARA A INFÂNCIA, a
que é acrescentado, na página do rosto "Escolhidos dos melhores
autores”- e reeditado desde então mais de uma dezena de vezes.
A 2ª
edição da obra, em 1881, "aumentada e adornada de gravuras e aprovada
pelo Conselho de Instrução Publica, para uso das escolas", parece com
este aval permitir que se cumpra o objectivo que orientou o escritor na
elaboração desta antologia. Com efeito, na 2ª edição, os contos são
precedidos por "Duas Palavras", uma brevíssima introdução em que o autor
expõe com lirismo a sua visão da educação ideal e do que entende ser a
leitura mais adequada para as crianças.
"O leite é o alimento do
berço, o livro o alimento da escola. Entre ambos devera existir
analogia: pureza, fecundidade, simplicidade." escreve nessa introdução
Guerra Junqueiro entre outras considerações. Já no seu poema "A Escola
Portuguesa" (in A Musa em Férias, 1878), opinara sobre a “hedionda
prisão”, a escola de então, e os “horríveis” versos e prosas que as
crianças eram obrigadas a soletrar. Nada mais natural que reunisse na
sua antologia alguns textos simples que pudessem colmatar a falta
sentida: “Reuni para ele tudo o que vi de mais singelo, mais gracioso e
mais humano” (ibidem).
Ao longo de gerações, os contos coligidos por
Guerra Junqueiro foram e continuam a ser reproduzidos nos livros
escolares (livros de leitura, compêndios, manuais). Atualmente até já há
edições digitais da obra; entretanto, a sua visibilidade adquiriu um
novo estatuto pois três das histórias - "O Fato Novo do Sultão", "Boa
Sentença" e "João Pateta"- passaram a integrar a lista das obras de
Iniciação à Educação Literária (para o 3º ano), das novas Metas
Curriculares.
A boa estrela desta antologia tem inspirado alguns
investigadores dedicados e é graças a eles que podemos ficar a conhecer a
história desses contos.» Manuela D.L. Ramos
Edição/reimpressão: 2007

![Foto: “A Última Criada de Salazar – A vida doméstica e os dias do fim” de Miguel Carvalho
Em 1969, prestes a completar 14 anos, Rosália Araújo foi contratada para servir António de Oliveira Salazar. Durante anos, conheceu a vida doméstica do palacete de São Bento, liderada pela severa dona Maria, e o lado mais privado do Presidente do Conselho, com os seus hábitos, gostos, desgostos e segredos. No momento da sua morte, em 1970 foi a única empregada presente no quarto do ditador.
A Última Criada de Salazar é o relato minucioso da decadência e dos dias do fim do homem que alcançou o poder em 1932 e só o perdeu três décadas mais tarde.
Após a morte do ditador, Rosália teve convites para ficar em Lisboa, mas regressou a Favaios. Casou, criou família, enviuvou. Padeira fora, padeira continuou. “Precisávamos de outro 25 de Abril”, diz, agora, a antiga criada de Salazar.
«É um livro especial. Extraordinariamente bem escrito, com uma coerência narrativa e um ritmo absolutamente perfeitos, é o exemplo acabado do livro que se lê de um fôlego. Foi de facto o meu caso. Abri-o e só o pousei depois de terminar. O tema e as personagens ajudam, claro. Os últimos anos do regime de Salazar, observados a partir de um microcosmos que foi a sua residência oficial (S. Bento e o Forte de Sto. António do Estoril) e pelos olhos de quem o servia. A D. Rosália, um verdadeiro tesouro de memórias intactas, guia-nos pelo universo particular dos últimos anos da ditadura, com uma visão apolítica da casa onde residia o poder que comandava o, à altura, Império Português. De entre o flagrante contraste entre a dimensão do império até à pequenez do mundo privado do ditador, acompanhamos uma história que em qualquer contexto não deixa de ser uma portentosa tragédia clássica. A queda (e aqui esqueço o episódio da cadeira) de um mito. Toda a descrição dos últimos tempos de vida de Salazar, mas sobretudo a gigantesca encenação que é feita para manter as aparências, chega a parecer irreal. E de certa forma é. É uma realidade que não existe, em absoluto contraponto com um país pobre, pequeno e abandonado à sua sorte, onde apenas as elites contam. É neste equilíbrio delicado e que nunca abandona que o Miguel consegue dar uma imagem de um pais e de uma ditadura em queda, sem nunca cair no que seria fácil, o tomar partido. É um retrato de um homem incontornável no Séc. XX português, feito a partir de dentro. Um quadro pintado em proximidade.» [Ricardo, blogue Estante Acidental]
Miguel Carvalho nasceu no Porto em 1970 e é repórter da revista Visão desde dezembro de 1999. Em 1989, concluiu o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto. Trabalhou no Diário de Notícias e no semanário O Independente. Recebeu o Prémio Orlando Gonçalves (Jornalismo), em 2008, e o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009. Algumas das suas reportagens têm merecido referência em títulos como The New York Times, El País, Daily Telegraph, Veja ou O Globo.
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...](https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc3/1395975_661531123878749_833316068_n.jpg)

![Foto: “Espaços de Lazer e de Turismo no Noroeste de Portugal” de Luís Saldanha Martins
«O turismo e o Noroeste de Portugal constituem as motivações nucleares deste estudo, no qual se tenta explorar a interligação incontornável, em termos conceptuais, entre o turismo e o lazer, assim como aprofundar o conhecimento da estrutura do território nordestino.
Aqui é analisa não apenas a estrutura da oferta deste território, como também a base económica e o estatuto social, económico e cultural daqueles que procuram esta região para turismo e lazer.
A base territorial deste trabalho é, pois, composta pelos distritos de Braga, Porto e Viana do Castelo.»
“O Sector do Turismo no Norte de Portugal” de Luís Delfim Santos e Rui Terrasêca
«O presente trabalho visa o estudo do sector do turismo do Norte de Portugal, essencialmente em duas vertentes: por um lado, a caracterização abrangente e global dos seus vectores estruturais e das suas especificidades; por outro lado, a análise do respectivo quadro global da evolução verificada entre 1991 e 1995.»
Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real...
[também o seguinte título: “Patrimónios, Territórios e Turismo Cultural – recursos, estratégias e práticas” coordenação de Rui Jacinto, revista Iberografias 19]](https://fbcdn-sphotos-d-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc3/p480x480/374157_492325664132630_1451300963_n.jpg)