quinta-feira, 31 de outubro de 2013

                                 



Dário Moreira de Castro Alves, reuniu no livro “O Vinho do Porto na Obra de Eça de Queiroz”, tudo o que o escritor diz sobre o vinho fino do Douro.
Neste trabalho de pesquisa meticulosa, Dário Moreira de Castro Alves conduz-nos à região do Douro que o génio de Eça de Queiroz recriou no espaço mágico de Tormes: o rio e toda a vasta zona, que abrange a sua história e geografia, a cultura dos povos e lugares por onde passa, os seus recursos e potencialidades, o quotidiano das gentes que dele vivem.
Retrato vivo do país vinhateiro este líquido, e generoso, agarrado aos socalcos onde a cepa come pedra e bebe sol, ganhou há séculos, prestígio nacional e internacional.

«O autor, Dário Moreira de Castro Alves, conduz o leitor à região do Douro, que o gênio de Eça captou tão bem. E com ele viaja através do rio e toda sua vasta zona, abrangendo sua história, geografia e cultura.Na obra de Eça de Queirós encontra-se o retrato vivo do douro vinhateiro. Com Eça a gastronomia ganha assento na grande literatura e, com ela, as referência ao néctar proveniente do Douro. Ao longo da sua obra são mais de 4.500 as citações gastronômicas e 1.302 menções a bebidas alcoólicas. Como diz o autor “a grande e abundante colheita de vinhos na obra queirosiana é a dos vinhos de sua época, do seu século, fossem portugueses fosse franceses, espanhóis, alemães, italianos, húngaro e até chineses”. O autor analisa a obra de Eça, particularmente os títulos onde o vinho é referenciado: “A Tragédia da Rua das Flores”, “O Crime do Padre Amaro”, “A Relíquia”, apenas para citar alguns.
O livro em si, é sem dúvida, um bom pretexto para “beber” com imoderação a obra de Eça de Queirós.» [blogue Vino Divino Vino por Elmano Marques]

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Contos Para a Infância

                                                    Foto: “Contos Para a Infância” de Guerra Junqueiro

Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850-1923) notabilizou-se como político, deputado, jornalista, escritor e poeta. A sua poesia granjeou-lhe uma enorme popularidade, sobretudo a poesia panfletária que contribuiu para a implantação da República.
Nesta obra dedicada às crianças o autor afirma “reuni para ele tudo o que vi de mais singelo, mais gracioso e mais humano”. Escreveu a pensar na sensibilidade infantil e na descoberta da vida. São 44 pequenas histórias que convivem com a poesia dos pássaros e outros animais, com as árvores, as flores, os génios, as aventuras, onde se exalta a magia da vida.
“Contos para a Infância” é um documento importante para a história da literatura infantil em Portugal, iniciada por João de Deus ao dirigir-se especificamente às crianças como nos afirma no prefácio Júlia Nery. O próprio Guerra Junqueiro na abertura desta obra confessa: “Livros simples! Nada mais complexo.”

«Não deverá haver biblioteca escolar que se preze que não possua no seu acervo algumas das edições deste livrinho de Guerra Junqueiro, publicado pela primeira vez em 1877 - sob o título de CONTOS PARA A INFÂNCIA, a que é acrescentado, na página do rosto "Escolhidos dos melhores autores”- e reeditado desde então mais de uma dezena de vezes.
A 2ª edição da obra, em 1881, "aumentada e adornada de gravuras e aprovada pelo Conselho de Instrução Publica, para uso das escolas", parece com este aval permitir que se cumpra o objectivo que orientou o escritor na elaboração desta antologia. Com efeito, na 2ª edição, os contos são precedidos por "Duas Palavras", uma brevíssima introdução em que o autor expõe com lirismo a sua visão da educação ideal e do que entende ser a leitura mais adequada para as crianças.
"O leite é o alimento do berço, o livro o alimento da escola. Entre ambos devera existir analogia: pureza, fecundidade, simplicidade." escreve nessa introdução Guerra Junqueiro entre outras considerações. Já no seu poema "A Escola Portuguesa" (in A Musa em Férias, 1878), opinara sobre a “hedionda prisão”, a escola de então, e os “horríveis” versos e prosas que as crianças eram obrigadas a soletrar. Nada mais natural que reunisse na sua antologia alguns textos simples que pudessem colmatar a falta sentida: “Reuni para ele tudo o que vi de mais singelo, mais gracioso e mais humano” (ibidem).
Ao longo de gerações, os contos coligidos por Guerra Junqueiro foram e continuam a ser reproduzidos nos livros escolares (livros de leitura, compêndios, manuais). Atualmente até já há edições digitais da obra; entretanto, a sua visibilidade adquiriu um novo estatuto pois três das histórias - "O Fato Novo do Sultão", "Boa Sentença" e "João Pateta"- passaram a integrar a lista das obras de Iniciação à Educação Literária (para o 3º ano), das novas Metas Curriculares.
A boa estrela desta antologia tem inspirado alguns investigadores dedicados e é graças a eles que podemos ficar a conhecer a história desses contos.» Manuela D.L. Ramos

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial... 


«Não deverá haver biblioteca escolar que se preze que não possua no seu acervo algumas das edições deste livrinho de Guerra Junqueiro, publicado pela primeira vez em 1877 - sob o título de CONTOS PARA A INFÂNCIA, a que é acrescentado, na página do rosto "Escolhidos dos melhores autores”- e reeditado desde então mais de uma dezena de vezes.
A 2ª edição da obra, em 1881, "aumentada e adornada de gravuras e aprovada pelo Conselho de Instrução Publica, para uso das escolas", parece com este aval permitir que se cumpra o objectivo que orientou o escritor na elaboração desta antologia. Com efeito, na 2ª edição, os contos são precedidos por "Duas Palavras", uma brevíssima introdução em que o autor expõe com lirismo a sua visão da educação ideal e do que entende ser a leitura mais adequada para as crianças.
"O leite é o alimento do berço, o livro o alimento da escola. Entre ambos devera existir analogia: pureza, fecundidade, simplicidade." escreve nessa introdução Guerra Junqueiro entre outras considerações. Já no seu poema "A Escola Portuguesa" (in A Musa em Férias, 1878), opinara sobre a “hedionda prisão”, a escola de então, e os “horríveis” versos e prosas que as crianças eram obrigadas a soletrar. Nada mais natural que reunisse na sua antologia alguns textos simples que pudessem colmatar a falta sentida: “Reuni para ele tudo o que vi de mais singelo, mais gracioso e mais humano” (ibidem).
Ao longo de gerações, os contos coligidos por Guerra Junqueiro foram e continuam a ser reproduzidos nos livros escolares (livros de leitura, compêndios, manuais). Atualmente até já há edições digitais da obra; entretanto, a sua visibilidade adquiriu um novo estatuto pois três das histórias - "O Fato Novo do Sultão", "Boa Sentença" e "João Pateta"- passaram a integrar a lista das obras de Iniciação à Educação Literária (para o 3º ano), das novas Metas Curriculares.
A boa estrela desta antologia tem inspirado alguns investigadores dedicados e é graças a eles que podemos ficar a conhecer a história desses contos.» Manuela D.L. Ramos



Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 156
Editor: Lello Editores
Preço: 10,10€
 


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Última Criada de Salazar – A vida doméstica e os dias do fim

                                                  Foto: “A Última Criada de Salazar – A vida doméstica e os dias do fim” de Miguel Carvalho

Em 1969, prestes a completar 14 anos, Rosália Araújo foi contratada para servir António de Oliveira Salazar. Durante anos, conheceu a vida doméstica do palacete de São Bento, liderada pela severa dona Maria, e o lado mais privado do Presidente do Conselho, com os seus hábitos, gostos, desgostos e segredos. No momento da sua morte, em 1970 foi a única empregada presente no quarto do ditador. 

A Última Criada de Salazar é o relato minucioso da decadência e dos dias do fim do homem que alcançou o poder em 1932 e só o perdeu três décadas mais tarde.

Após a morte do ditador, Rosália teve convites para ficar em Lisboa, mas regressou a Favaios. Casou, criou família, enviuvou. Padeira fora, padeira continuou. “Precisávamos de outro 25 de Abril”, diz, agora, a antiga criada de Salazar.

«É um livro especial. Extraordinariamente bem escrito, com uma coerência narrativa e um ritmo absolutamente perfeitos, é o exemplo acabado do livro que se lê de um fôlego. Foi de facto o meu caso. Abri-o e só o pousei depois de terminar. O tema e as personagens ajudam, claro. Os últimos anos do regime de Salazar, observados a partir de um microcosmos que foi a sua residência oficial (S. Bento e o Forte de Sto. António do Estoril) e pelos olhos de quem o servia. A D. Rosália, um verdadeiro tesouro de memórias intactas, guia-nos pelo universo particular dos últimos anos da ditadura, com uma visão apolítica da casa onde residia o poder que comandava o, à altura, Império Português. De entre o flagrante contraste entre a dimensão do império até à pequenez do mundo privado do ditador, acompanhamos uma história que em qualquer contexto não deixa de ser uma portentosa tragédia clássica. A queda (e aqui esqueço o episódio da cadeira) de um mito. Toda a descrição dos últimos tempos de vida de Salazar, mas sobretudo a gigantesca encenação que é feita para manter as aparências, chega a parecer irreal. E de certa forma é. É uma realidade que não existe, em absoluto contraponto com um país pobre, pequeno e abandonado à sua sorte, onde apenas as elites contam. É neste equilíbrio delicado e que nunca abandona que o Miguel consegue dar uma imagem de um pais e de uma ditadura em queda, sem nunca cair no que seria fácil, o tomar partido. É um retrato de um homem incontornável no Séc. XX português, feito a partir de dentro. Um quadro pintado em proximidade.» [Ricardo, blogue Estante Acidental]

Miguel Carvalho nasceu no Porto em 1970 e é repórter da revista Visão desde dezembro de 1999. Em 1989, concluiu o Curso de Radiojornalismo do Centro de Formação de Jornalistas do Porto. Trabalhou no Diário de Notícias e no semanário O Independente. Recebeu o Prémio Orlando Gonçalves (Jornalismo), em 2008, e o Grande Prémio Gazeta, do Clube dos Jornalistas, em 2009. Algumas das suas reportagens têm merecido referência em títulos como The New York Times, El País, Daily Telegraph, Veja ou O Globo.

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Em 1969, prestes a completar 14 anos, Rosália Araújo foi contratada para servir António de Oliveira Salazar. Durante anos, conheceu a vida doméstica do palacete de São Bento, liderada pela severa dona Maria, e o lado mais privado do Presidente do Conselho, com os seus hábitos, gostos, desgostos e segredos. No momento da sua morte, em 1970 foi a única empregada presente no quarto do ditador. 

A Última Criada de Salazar é o relato minucioso da decadência e dos dias do fim do homem que alcançou o poder em 1932 e só o perdeu três décadas mais tarde.

Após a morte do ditador, Rosália teve convites para ficar em Lisboa, mas regressou a Favaios. Casou, criou família, enviuvou. Padeira fora, padeira continuou. “Precisávamos de outro 25 de Abril”, diz, agora, a antiga criada de Salazar.

«É um livro especial. Extraordinariamente bem escrito, com uma coerência narrativa e um ritmo absolutamente perfeitos, é o exemplo acabado do livro que se lê de um fôlego. Foi de facto o meu caso. Abri-o e só o pousei depois de terminar. O tema e as personagens ajudam, claro. Os últimos anos do regime de Salazar, observados a partir de um microcosmos que foi a sua residência oficial (S. Bento e o Forte de Sto. António do Estoril) e pelos olhos de quem o servia. A D. Rosália, um verdadeiro tesouro de memórias intactas, guia-nos pelo universo particular dos últimos anos da ditadura, com uma visão apolítica da casa onde residia o poder que comandava o, à altura, Império Português. De entre o flagrante contraste entre a dimensão do império até à pequenez do mundo privado do ditador, acompanhamos uma história que em qualquer contexto não deixa de ser uma portentosa tragédia clássica. A queda (e aqui esqueço o episódio da cadeira) de um mito. Toda a descrição dos últimos tempos de vida de Salazar, mas sobretudo a gigantesca encenação que é feita para manter as aparências, chega a parecer irreal. E de certa forma é. É uma realidade que não existe, em absoluto contraponto com um país pobre, pequeno e abandonado à sua sorte, onde apenas as elites contam. É neste equilíbrio delicado e que nunca abandona que o Miguel consegue dar uma imagem de um pais e de uma ditadura em queda, sem nunca cair no que seria fácil, o tomar partido. É um retrato de um homem incontornável no Séc. XX português, feito a partir de dentro. Um quadro pintado em proximidade.» [Ricardo, blogue Estante Acidental]


Edição/reimpressão: 2013

Páginas: 272
Editor: Oficina do Livro
Preço: 15,90€

domingo, 27 de outubro de 2013

Jesus Cristo bebia cerveja, de Afonso Cruz


                                        
Costuma-se dizer que se Maomé não vai à montanha vai a montanha a Maomé. No centro do novo romance de Afonso Cruz está precisamente este aforismo. Há uma idosa alentejana cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Como a neta não a pode levar lá, é engendrada uma forma de trazer Jerusalém até ao Alentejo. É aqui que reside o aspeto cómico de um romance que se revela no entanto uma tragicomédia.

«É certo e sabido» - lê-se num dos últimos parágrafos - «que o final feliz é uma invenção humana, uma necessidade de obliterar a morte. A vida nunca acaba bem». No caso da vida de Rosa - a personagem principal, neta da tal idosa que queria ir a Jerusalém - a infância também já não foi auspiciosa. Viu o avô atirar-se a um poço, o pai enforcar-se e a mãe fugir de casa.
Cobiçada pelo olhar lúbrico dos homens, Rosa há-de descobrir no professor Borja um cúmplice, primeiro, e depois o objeto da sua trágica dádiva.
É o professor Borja, um erudito sem audiência nem reconhecimento, que há de preparar o cenário da falsa Jerusalém. Exigindo no entanto a fidelidade a detalhes importantes: entre eles, o facto de Jesus Cristo beber cerveja e não vinho.
Não se trata de uma liberdade ficcional mas de um aspeto que tem sido discutido pela História. O professor Borja é taxativo: «O que se bebia no espaço geográfico em que Cristo habitava era cerveja. O vinho era uma bebida de romanos, dos invasores. Cristo não iria beber a bebida dos ricos, dos opressores».

Prémios Time Out Lisboa 2012 - Livro do Ano
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 248
Editor: Alfaguara Portugal