quarta-feira, 20 de novembro de 2013

                        Foto: “O mundo fica irreal, mas não me importo” de Maria José Quintela

"soma as tuas madrugadas às lembranças
e algema-as na memória"

A poetisa Maria José Quintela, expõe a sua alma sensível através de imagens poéticas de extraordinária beleza, que os seus sonhos e desejos derramaram no papel.

"como estancar as coisas que explodem
dentro de nós,
se os estilhaços cravados na carne
criam raízes na memória?"

Maria José Quintela Claro da Fonseca nasceu em Vila Real, em 1955. Reside em Lamego desde 1959, onde é enfermeira.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

A poetisa Maria José Quintela, expõe a sua alma sensível através de imagens poéticas de extraordinária beleza, que os seus sonhos e desejos derramaram no papel.

"como estancar as coisas que explodem
dentro de nós,
se os estilhaços cravados na carne
criam raízes na memória?"

Maria José Quintela Claro da Fonseca nasceu em Vila Real, em 1955. Reside em Lamego desde 1959, onde é enfermeira.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...


domingo, 17 de novembro de 2013

Com os Holandeses

                               Foto: “Com os Holandeses” de J. Rentes de Carvalho

«Sobre o clima, os costumes, as manhas, a bruteza, os vícios, a má comida... A lista começou com Júlio César, alongou-se no decorrer dos séculos, tem casos extremos como o do mal-agradecido Voltaire que, em vez de dar graças pelo refúgio oferecido, sintetizou venenosamente os Países Baixos em "Canards, canaux et canailles". Jesuíta e diplomata, António Vieira disse pior, mas diplomaticamente. De facto são muitos os críticos mordazes de um país em que outros só vêem campos de tulipas, moinhos a rodar serenamente, montes de queijo, diques, água, abundância de belas raparigas loiras e desempenadas. Assim, o optimista Ramalho Ortigão escreveu a suave aguarela que, para muitas gerações, funcionou como relato exemplar de um país exemplar. O meu caso difere.»

Com os Holandeses, já um clássico do seu género, não poderia vir até nós num momento “europeu” mais propício do que este, sendo ainda muito mais do que um ensaio sobre uma só nação estrangeira: poderá ser lido no nosso país como uma espécie de compêndio das atitudes historicamente cultivadas a norte sobre os povos do sul, as mais velhas nações que civilizaram a “Europa”, mas que hoje estão desgraçadamente no olho do furacão financeiro e económico, e sobretudo olhados com a suspeita de sempre — malandros, esbanjadores, indisciplinados e vivendo segundo valores sociais suspeitos. Não creio tratar-se de um retrato cruel de um dos países mais pacíficos dos tempos modernos, a Holanda, mas sim uma espécie de ajuste de contas por parte de um grande autor português após anos e anos de ter sido, em todos os sentidos humanos e culturais, o outro. (...)
O autor aqui nunca perde o seu equilíbrio emocional ou a inteligência com que desmonta o “carácter” colectivo — conceito sociológico desde há muito desacreditado, mas que ainda poderá servir de paradigma analítico, nem que seja só para gozo literário — dos seus anfitriões. Mais do que castigar os holandeses, Rentes de Carvalho simplesmente aponta-lhes o dedo na cara, e recorda-lhes amenamente que há outras maneiras de pensar e estar na vida, ou que uma suposta “virtude” cultural ou social sua poderá muito bem ser considerada “defeito” pelos outros, mesmo que vivendo a dois passos na mesma pequena península asiática. O humor destas páginas é imparável, como que a dizer aos próprios leitores daquele país: olhem cá, nada disto me mata ou me retém na minha caminhada de cidadão consciente, mas esses ares de superioridade generalizada e indefinida incomodam imigrantes como eu, que muito mais mundo têm visto e vivido ao longo de toda a História. Desde a ética comercial do dia a dia à santidade da religião, desde a dedicação às mais estranhas e banais causas em suposta defesa de um bairro residencial seu à salvação dos povos menos felizes a milhares de quilómetros nos continentes menos desenvolvidos do que a terra das tulipas e abaixo do mar, Rentes de Carvalho mantém a sua discursividade serena, nunca abandonando ou renegando ser, uma vez mais, o outro, nunca aceitando, do mesmo modo, um estatuto de inferiorização da sua ancestralidade. Frequentemente, como seria de esperar, Com os Holandeses refere-se a um Portugal então sob a ditadura, deprimida e pobre, ou na confusão kafkiana, nas palavras de outro autor, que foram os primeiros anos da nossa libertação, nada escondendo, nada negando.» Vamberto Freitas, Portuguese Times

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...
[também disponíveis as seguintes obras do autor: "O Rebate”, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, “Mazagran”, “La Coca”, “A Amante Holandesa”, “Tempo Contado”, "Ernestina", "Mentiras & Diamantes"]

Sobre o clima, os costumes, as manhas, a bruteza, os vícios, a má comida... A lista começou com Júlio César, alongou-se no decorrer dos séculos, tem casos extremos como o do mal-agradecido Voltaire que, em vez de dar graças pelo refúgio oferecido, sintetizou venenosamente os Países Baixos em "Canards, canaux et canailles". Jesuíta e diplomata, António Vieira disse pior, mas diplomaticamente. De facto são muitos os críticos mordazes de um país em que outros só vêem campos de tulipas, moinhos a rodar serenamente, montes de queijo, diques, água, abundância de belas raparigas loiras e desempenadas. Assim, o optimista Ramalho Ortigão escreveu a suave aguarela que, para muitas gerações, funcionou como relato exemplar de um país exemplar. O meu caso difere.»

Com os Holandeses, já um clássico do seu género, não poderia vir até nós num momento “europeu” mais propício do que este, sendo ainda muito mais do que um ensaio sobre uma só nação estrangeira: poderá ser lido no nosso país como uma espécie de compêndio das atitudes historicamente cultivadas a norte sobre os povos do sul, as mais velhas nações que civilizaram a “Europa”, mas que hoje estão desgraçadamente no olho do furacão financeiro e económico, e sobretudo olhados com a suspeita de sempre — malandros, esbanjadores, indisciplinados e vivendo segundo valores sociais suspeitos. Não creio tratar-se de um retrato cruel de um dos países mais pacíficos dos tempos modernos, a Holanda, mas sim uma espécie de ajuste de contas por parte de um grande autor português após anos e anos de ter sido, em todos os sentidos humanos e culturais, o outro. (...)
O autor aqui nunca perde o seu equilíbrio emocional ou a inteligência com que desmonta o “carácter” colectivo — conceito sociológico desde há muito desacreditado, mas que ainda poderá servir de paradigma analítico, nem que seja só para gozo literário — dos seus anfitriões. Mais do que castigar os holandeses, Rentes de Carvalho simplesmente aponta-lhes o dedo na cara, e recorda-lhes amenamente que há outras maneiras de pensar e estar na vida, ou que uma suposta “virtude” cultural ou social sua poderá muito bem ser considerada “defeito” pelos outros, mesmo que vivendo a dois passos na mesma pequena península asiática. O humor destas páginas é imparável, como que a dizer aos próprios leitores daquele país: olhem cá, nada disto me mata ou me retém na minha caminhada de cidadão consciente, mas esses ares de superioridade generalizada e indefinida incomodam imigrantes como eu, que muito mais mundo têm visto e vivido ao longo de toda a História. Desde a ética comercial do dia a dia à santidade da religião, desde a dedicação às mais estranhas e banais causas em suposta defesa de um bairro residencial seu à salvação dos povos menos felizes a milhares de quilómetros nos continentes menos desenvolvidos do que a terra das tulipas e abaixo do mar, Rentes de Carvalho mantém a sua discursividade serena, nunca abandonando ou renegando ser, uma vez mais, o outro, nunca aceitando, do mesmo modo, um estatuto de inferiorização da sua ancestralidade. Frequentemente, como seria de esperar, Com os Holandeses refere-se a um Portugal então sob a ditadura, deprimida e pobre, ou na confusão kafkiana, nas palavras de outro autor, que foram os primeiros anos da nossa libertação, nada escondendo, nada negando.» Vamberto Freitas, Portuguese Times


Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 172
Editor: Quetzal
14,40€




sábado, 16 de novembro de 2013

                               Foto: “A Cultura da Amêndoa no Douro Superior – História, Tradição e Património” de Lois Ladra

Este livro quer prestar homenagem a todos os galegos anónimos que, fugindo da fome e da miséria, vieram erguer muitos dos socalcos do Douro transmontano, contribuindo com o seu suor para a construção deste Reino Maravilhoso. O autor

A amendoeira no Douro Superior, isolada, plantada em bordadura ou formando amendoal, constitui um património cultural, económico e paisagístico que deve ser preservado e transmitido às gerações vindouras. As magníficas qualidades organolépticas e o marcado sabor da amêndoa duriense devem constituir a base sobre a qual possam vingar no território novas indústrias artesanais de produtos gastronómicos que tenham a amêndoa como protagonista.

«A amêndoa produzida no Douro Superior ostenta com orgulho o reconhecimento internacional de Denominação de Origem Protegida (D.O.P.) “Amêndoa do Douro”, classicação atribuída pela União Europeia no ano de 1994.Trata-se de um produto natural, dotado de propriedades organolépticas singulares, que vinca as suas origens na agricultura mediterrânica tradicional, constituindo uma das marcas identitárias desta região.»

Lois Ladra nace en A Coruña en 1972. En 1996 se licencia en Geografía e Historia (Prehistoria y Etnología) por la Universidad Complutense. En 1999, defiende su tesis de licenciatura, con un estudio sobre la orfebrería galaica de la Edad del Hierro. En 2001, concluye los Cursos de Doctorado y se diploma en Estudios Avanzados en Arqueología por la Universidade de Santiago de Compostela. Becado por la Fundación Barrié, concluye en 2003 un Master en Arqueología Protohistórica en la Universidad de Oporto (Portugal). En 2007, se licencia en Antropología Social y Cultural por la Universidad Nacional de Educación a Distancia. Desarrolla su actividad profesional como antropólogo cultural y arqueólogo, dirigiendo y participando en numerosos proyectos en Galicia, Extremadura, Madrid, Castilla-León, Castilla-La Mancha y Portugal. Es autor de más de medio centenar de publicaciones de temática arqueológica y etnográfica, entre las que destacan sus trabajos sobre la orfebrería galaica y los libros Arte relixiosa popular na Terra de Valga. Cruceiros, cruces e petos de animas (A Coruña, 2002), A pesca tradicional nos rios de Galiza. Caneiros, pescos e pesqueiras (Santiago de Compostela, 2008) y los estudios introductorios al Inventario de la riqueza monumental y artística de Galicia, de Ángel del Castillo (A Coruña, 2008). Ha sido galardonado con los premios de investigación Xesús Ferro Couselo (1999, 2000 y 2001), Cátedra (2006), Vicente Risco (2008) y Raigame – Xaquín Lorenzo (2011). Ha dirigido numerosas proyectos de investigación antropológica en Galicia y Portugal. Colabora habitualmente con la Fundación Barrié como asesor externo en iniciativas de recuperación y valorización patrimonial. En la actualidad, desarrolla su actividad laboral como especialista en el estudio de culturas fluviales (pesca, navegación sistemas tradicionales de molienda..) destacando sus análisis etnológicos de los rios Ocreza, Tua y Sabor.

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...


Este livro quer prestar homenagem a todos os galegos anónimos que, fugindo da fome e da miséria, vieram erguer muitos dos socalcos do Douro transmontano, contribuindo com o seu suor para a construção deste Reino Maravilhoso. O autor

A amendoeira no Douro Superior, isolada, plantada em bordadura ou formando amendoal, constitui um património cultural, económico e paisagístico que deve ser preservado e transmitido às gerações vindouras. As magníficas qualidades organolépticas e o marcado sabor da amêndoa duriense devem constituir a base sobre a qual possam vingar no território novas indústrias artesanais de produtos gastronómicos que tenham a amêndoa como protagonista.

«A amêndoa produzida no Douro Superior ostenta com orgulho o reconhecimento internacional de Denominação de Origem Protegida (D.O.P.) “Amêndoa do Douro”, classicação atribuída pela União Europeia no ano de 1994.Trata-se de um produto natural, dotado de propriedades organolépticas singulares, que vinca as suas origens na agricultura mediterrânica tradicional, constituindo uma das marcas identitárias desta região.»

Lois Ladra nace en A Coruña en 1972. En 1996 se licencia en Geografía e Historia (Prehistoria y Etnología) por la Universidad Complutense. En 1999, defiende su tesis de licenciatura, con un estudio sobre la orfebrería galaica de la Edad del Hierro. En 2001, concluye los Cursos de Doctorado y se diploma en Estudios Avanzados en Arqueología por la Universidade de Santiago de Compostela. Becado por la Fundación Barrié, concluye en 2003 un Master en Arqueología Protohistórica en la Universidad de Oporto (Portugal). En 2007, se licencia en Antropología Social y Cultural por la Universidad Nacional de Educación a Distancia. Desarrolla su actividad profesional como antropólogo cultural y arqueólogo, dirigiendo y participando en numerosos proyectos en Galicia, Extremadura, Madrid, Castilla-León, Castilla-La Mancha y Portugal. Es autor de más de medio centenar de publicaciones de temática arqueológica y etnográfica, entre las que destacan sus trabajos sobre la orfebrería galaica y los libros Arte relixiosa popular na Terra de Valga. Cruceiros, cruces e petos de animas (A Coruña, 2002), A pesca tradicional nos rios de Galiza. Caneiros, pescos e pesqueiras (Santiago de Compostela, 2008) y los estudios introductorios al Inventario de la riqueza monumental y artística de Galicia, de Ángel del Castillo (A Coruña, 2008). Ha sido galardonado con los premios de investigación Xesús Ferro Couselo (1999, 2000 y 2001), Cátedra (2006), Vicente Risco (2008) y Raigame – Xaquín Lorenzo (2011). Ha dirigido numerosas proyectos de investigación antropológica en Galicia y Portugal. Colabora habitualmente con la Fundación Barrié como asesor externo en iniciativas de recuperación y valorización patrimonial. En la actualidad, desarrolla su actividad laboral como especialista en el estudio de culturas fluviales (pesca, navegación sistemas tradicionales de molienda..) destacando sus análisis etnológicos de los rios Ocreza, Tua y Sabor.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

D. Pedro de Meneses e a construção da Casa de Vila Real (1415-1437), de Nuno Silva Campos

                             Foto: “D. Pedro de Meneses e a construção da Casa de Vila Real (1415-1437)” de Nuno Silva Campos
Prémio da Associação Portuguesa de História Económica e Social 2003

Quando, após a conquista de Ceuta, D. João I reúne o seu conselho e decide manter a cidade, há a clara noção de que a tarefa não se tinha por fácil. (...) Não é portanto de estranhar que quando D. João e conselheiros discutem quem ficará a reger a cidade e sugerem nomes, os indivíduos propostos vão, educadamente, recusando o cargo, apresentando motivos que não lhes permitem aceitá-lo (...). E a verdade é que o rei, por falta de opções (...) por reconhecer capacidades em D. Pedro, o aceita e nomeia como capitão e regedor da cidade. Revelar-se ia uma boa escolha.

«O título de Conde de Vila Real foi um título nobiliárquico de Portugal. Foi atribuído por duas vezes, em épocas distintas, a duas famílias diferentes. A primeira criação data de cerca de 1424; foi atribuída a D. Pedro de Meneses e originou a Casa de Vila Real, dos marqueses de Vila Real (1489) e duques de Caminha. Esta antiga Casa de Vila Real viria a extinguir-se em 1641.
A segunda criação data de 1823, já depois da Revolução Liberal e do fim do Antigo Regime em Portugal. Este título foi atribuído ao 6.º morgado de Mateus, da Casa dos senhores do Palácio de Mateus, uma dos mais magníficos solares portugueses, hoje Fundação Casa de Mateus.» [Wikipédia]

Disponível na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real... | Traga-Mundos – lhibros i binos, cousas i lhoisas de l Douro an Bila Rial...

Prémio da Associação Portuguesa de História Económica e Social 2003

Quando, após a conquista de Ceuta, D. João I reúne o seu conselho e decide manter a cidade, há a clara noção de que a tarefa não se tinha por fácil. (...) Não é portanto de estranhar que quando D. João e conselheiros discutem quem ficará a reger a cidade e sugerem nomes, os indivíduos propostos vão, educadamente, recusando o cargo, apresentando motivos que não lhes permitem aceitá-lo (...). E a verdade é que o rei, por falta de opções (...) por reconhecer capacidades em D. Pedro, o aceita e nomeia como capitão e regedor da cidade. Revelar-se ia uma boa escolha.

«O título de Conde de Vila Real foi um título nobiliárquico de Portugal. Foi atribuído por duas vezes, em épocas distintas, a duas famílias diferentes. A primeira criação data de cerca de 1424; foi atribuída a D. Pedro de Meneses e originou a Casa de Vila Real, dos marqueses de Vila Real (1489) e duques de Caminha. Esta antiga Casa de Vila Real viria a extinguir-se em 1641.
A segunda criação data de 1823, já depois da Revolução Liberal e do fim do Antigo Regime em Portugal. Este título foi atribuído ao 6.º morgado de Mateus, da Casa dos senhores do Palácio de Mateus, uma dos mais magníficos solares portugueses, hoje Fundação Casa de Mateus.» [Wikipédia]