quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Neste seu novo livro, a Autora aborda o impacto que a longa guerra da Restauração teve nas terras e nas populações das comarcas de Beja e de Campo de Ourique e de quanto lhes foi exigido, ao longo de vinte e sete anos, em homens, cereais, carros e animais, alojamentos, dinheiro e trabalho, e de como isso contribuiu para a decadência da Província. Relata ainda os eventos bélicos que tiveram como cenário as terras do Baixo Alentejo, onde o conflito se caracterizou por sistemáticas razias e pilhagens, que instalaram o medo, e desmantelaram as estruturas económicas dos povoados. Reflecte igualmente sobre o impacto da guerra no exercício do poder concelhio, que se viu confrontado com novos e difíceis problemas: problemas de natureza defensiva, nomeadamente, no tocante ao levantamento de soldados e às obras de fortificação; dificuldades de gestão financeira, devido à diminuição das receitas; conflitos de jurisdições e aumento da agressividade e da conflitualidade social, potenciada, muitas vezes, pela prepotência dos poderosos. Analisa ainda as mudanças nas atitudes e nos comportamentos pessoais e sociais, nomeadamente, nos comportamentos demográficos das populações do Baixo Alentejo, durante o longo conflito. Com este estudo, a Autora lança uma nova luz sobre um período conturbado da história portuguesa seiscentista, compreendendo-o não a partir dos centros de decisão, mas a partir da periferia onde foram realmente vividos e sentidos os longos anos da guerra.
— em Alentejo.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
sábado, 13 de fevereiro de 2016

SINOPSE
Os amores desencontrados dos irmãos Valentino e Mariana por Esperança e Damião marcam o percurso de toda a obra, desenvolvendo-se a narrativa num amplo espaço geográfico que se estende de Chaves a Lisboa e de Luanda a Paris.
Desde os encontros amorosos na aldeia de Vale do Monte em Barroso passando pelo cosmopolitismo de Paris e pala Luanda efervescente dos anos 60 as personagens deambulam pelo dédalo das suas vidas num tempo histórico concreto constrangidas por perseguições e prisões de que ao longo de duas décadas foram sendo vitimas.
Marca ainda presença o ambiente de delação, as torturas e humilhações vividas nas prisões políticas do Estado Novo, sobretudo nas “Gavetas do Aljube” e em Caxias.
Destaca-se também o ambiente psicológico de um tempo que veio a condicionar por muitas décadas o espirito do português conformado, pequeno avesso à inovação e mudança incapaz de rasgos de afirmação numa pátria secular feita a ferro e fogo pela ousadia dos nossos avoengos.
Uma revelação: arrebatador, sufocante … foi o que senti na leitura deste magnifico romance. Um livro datado, de espaços com personagens riquíssimas. Destaco uma personagem aparentemente secundária de nome Ferrão: há muito que não ria com tanto gosto. Absolutamente desconcertante, um cromo à antiga.
Destaco ainda a plasticidade da linguagem entre o rural e o urbano e todos os acontecimentos marcantes dos anos 60: guerra colonial, contrabando, perseguições políticas, ambiente cultural de Paris.
Um livro a não perder.
Fernando Alves
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