segunda-feira, 2 de maio de 2016

                           

Sinopse:

… há territórios em Portugal que urgem o trato dos Grandes Historiadores: o triângulo espacial de Entre o Zêzere e o Tejo e a fronteira com o país vizinho é um deles. ¶ Apesar de poder ocupar-se dos fenómenos repetíveis, as cheias, as secas, os sismos, o esgotamento de dados recursos, o trabalho essencial do historiador é a descoberta do homem ator no contexto do passado: o território em que vive e a respetiva administração, os recursos e a sua gestão, a concernente organização social, a esfera cultural e a doutrinária, os imaginários e o numinoso, numa palavra, a saga humana. ¶ À interrogação do estado do espaço beirão em causa nos séculos XII-XIV, a doutora Maria da Graça Vicente responde com um formidável levantamento documental e diz-nos muito. O núcleo do trabalho […] mostra-nos um espaço a repovoar-se nos séculos em causa sob o sistema senhorial e confirma a ideia do movimento Norte/Sul da Reconquista no século XII […]. A organização territorial dependeu: da organização concelhia em que D. Sancho I enquadrou os recém-chegados; das Ordens Militares que auxiliaram a Reconquista; e da Sé Egitaniense, que representava o lastro antigo, visigótico e moçárabe […].¶ Fica, pois, adiante, […] um renovado espelho de um grande pedaço do mundo medieval beirão: como os homens se relacionavam com a terra e esta ditava as suas hierarquias de acordo à dimensão dos recursos explorados. A autora prestou uma particular atenção, nunca antes dada, à Ordem do Hospital, pois os seus territórios cortavam este espaço de leste para oeste, formando um enclave de considerável dimensão, trazendo à colação muita documentação original. ¶ [António dos Santos Pereira, (do Prefácio)] ¶¶ A doação da Idanha e Monsanto, à Ordem do Templo (1165), definiu um espaço imenso entre três rios, o Zêzere, o Tejo e o Erges, seguindo-se a criação do grande município da Covilhã, e outorga do respetivo foral (1186) que alargava os territórios de Portugal nesta região. Seguiram-se duas outras doações que ampliaram, por vezes sobrepondo-se, o campo de acção da “jovem” monarquia portuguesa, nas duas margens do Tejo. Referimo-nos às doações das terras da Guidimtesta (1194) e da Herdade da Açafa (1199) que ajudaram a desenhar um núcleo capaz de ser caracterizado como de senhorial e municipal. Nele foram sendo inscritas as marcas evidentes da presença e esforço das gentes que, na sua apropriação e adaptação ao meio natural, lentamente o transformaram em paisagens humanizadas.

Índice:

PREFÁCIO

INTRODUÇÃO

CAPÍTULO I – OS ESPAÇOS FÍSICOS – PATRIMÓNIO NATURAL E CONSTRUÍDO
1. O espaço geográfico
1.1. Locais de passagem
1.2. Condições de defesa e segurança
1.3. A Casa rural e urbana
2. A progressiva ocupação do espaço
2.1. Redes de povoamento
3. O Campo Albicastrense – a presença Templária
4. O “Pinhal Sul” – a presença Hospitalária
5. A Cova da Beira – terras regalengas e poder concelhio

CAPÍTULO II – PRIMEIRA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
1. Forais e Cartas de Povoamento
1.1. Os forais – modelo e normativa

CAPÍTULO III – ECONOMIA E SOCIEDADE
1. Esboço demográfico
2. Origem geográfica dos povoadores
3. Grupos Sociais em Presença
3.1. O Clero
3.1.1. Clero secular/clero regular – relação e conflito
3.2. A Nobreza
3.3. As Gentes
3.3.1. Lavradores e pastores
3.3.2. Almocreves e mercadores
3.3.3. Oficiais: mecânicos e letrados

CAPÍTULO IV – A DIVISÃO DA TERRA
1. Propriedade régia
2. Propriedade da nobreza
3. Propriedade das ordens religiosas
3.1. Ordem do Templo/Cristo
3.2. Ordem do Hospital
3.3. Ordem de Avis
3.4. Mosteiro de Santa Maria da Estrela
3.5. Mosteiro de Salzedas
3.6. Cónegos regrantes
3.7. Convento de S. Francisco da Covilhã
4. A propriedade da Igreja secular
4.1. Sé de Coimbra
4.2. Sé da Guarda
5. A propriedade das instituções de assistência
5.1. Albergarias
5.2. Gafarias
6. A propriedade dos Concelhos e pequenos proprietários
6.1. Concelhos
6.2. Pequenos proprietários

CAPÍTULO V – O TRABALHO
1. Agricultura
1.1. Os cereais
1.2. A vinha e o vinho
1.3. Frutas e legumes
1.4. O linho
1.5. A oliveira
2. Pecuária e pastorícia
2.1. A prática da transumância
2.2. Florestas e incultos – Caça, pesca, apicultura
3. Actividades transformadoras
4. Comércio e seus agentes
4.1. Produtos de compra/venda. As Feiras
4.2. Rotas: mercadores e almocreves
4.3. Rede viária: estradas, caminhos e pontes

CAPÍTULO VI – CULTO E ASSISTÊNCIA
1. Os cristãos
2. Os judeus
3. Cobertura assistencial
3.1. Albergarias
3. 2. Gafarias

CAPÍTULO VII – A RELAÇÃO COM O PODER CENTRAL
1. Intervenção régia e conflitualidade
2. Participação nas Cortes – O diálogo com o Rei

CONCLUSÃO
Siglas e Abreviaturas Usadas
FONTES E BIBLIOGRAFIA 


segunda-feira, 25 de abril de 2016

UM LIVRO EXCECIONAL DE UM ANTIGO COLEGA DE ESCOLA

                     Na Andadura do Tempo

Antigamente o tempo não se escoava, antes passava de mão em mão, como a Sagrada Família, de pai para filho e deste para o neto, sempre na mesma ampulheta de trabalhos na terra, de geadas para o lavrador se pôr a pau, de torreiras em Agosto a argamassar os regos secos, de romarias a horas como as badaladas das trindades. De modos que o tempo dos antigos era o mesmo dos novos e dos que ainda estavam para vir.
Mas a roda das estações electrificou-se e desatou a girar sem pausas nem esperas pelos mais atrasados. Nas águas dos ribeiros e no lavradio caíram químicos e plásticos, o grão foi enferrujando nas arcas e as giestas e estevas são mais que as mães por entre as fragas e os torrões. Aguilhoados pelo colorido falso do ecrã, os novos foram à vida para outras paragens e até os pinhos desertam lentamente do interior, enegrecidos, no bojo das camionetas, iludidos pelos fogos artificiais arribados na liberdade de Abril. Restam poucos, calvos e brancos.

“(…) há ainda grandes escritores da natureza, conhecedores das gentes e das fainas agrícolas, como Bento da Cruz, Francisco Duarte Mangas ou mesmo, especialmente em Nenhum Olhar, José Luís Peixoto. Vítor da Rocha enfileira, com talento, nessa pequena hoste. (…) Pessoalmente, fiquei preso à leitura do conto admirável que abre este livro: O Anjo e a Puta, uma história bem crua e no entanto puríssima sobre a vida dadivosa de uma prostituta de aldeia. (…)” 
Urbano Tavares Rodrigues, recensão para Fundação Calouste Gulbenkian
  
“(…) O mais inovador, porém, dos textos deste livro (e atrever-me-ia mesmo a compará-lo, em vantagem, com tudo o que tenho ultimamente lido neste enquadramento temático) intitula-se “Toninho, o Último Pinho”. É uma verdadeira obra de arte (…)”

Luísa Mellide Franco, jornal Expresso

quinta-feira, 21 de abril de 2016

         

Entre 1820 e 1930, o piano foi uma presença constante na vida quotidiana madeirense. A partir do primeiro quartel do século XIX, começou a definir-se no Funchal uma cultura musical em redor do piano, constituída por: saraus privados e concertos públicos, em que a prática musical com piano era o motivo de entretenimento principal; um ensino musical exigente, no qual a mulher ganhou gradualmente protagonismo; um repertório centrado na música para canto e piano, em danças e em peças de cariz brilhante ou virtuoso; e um comércio de importação de pianos, primeiramente de Inglaterra e, numa fase posterior, principalmente da Alemanha. A partir da década de 1930, a prática amadora ao piano entra em declínio, devido à forte concorrência de novas tecnologias tais como os gramofones, a telefonia e o cinema.