sábado, 25 de junho de 2016

                         

Um futebolista famoso, ponta-de-lança do F.C. Porto, é assassinado num bar irlandês em plena Foz. O detective Jaime Ramos, da Polícia Judiciária do Porto, é encarregado das investigações, e a ele se junta Filipe Castanheira, vindo de um exílio voluntário nos Açores, onde se dedicou aos pequenos crimes insulares. As averiguações envolvem Alexandra Soares, mulher do futebolista; Susana, mulher de um outro futebolista e amante do morto; Serafim de Morais e Silva, amante de Susana; e outros personagens que evocam as relações sombrias e obscuras do mundo do futebol. Todo o livro é ilustrado com a paixão de Jaime Ramos e de Filipe pela comida; a paixão de Jorge Alonso, o dono do bar irlandês, pela Irlanda; e a complexa teia de paixões que envolve todos os personagens — na verdade, o futebol é um mundo restrito e simbólico que acaba por dar sentido à falta de sentida da vida: o estádio, as negociatas, os dirigentes, as ligações sentimentais e profissionais. No final, o crime é desvendado, mas aos investigadores, afinal, isso pouco importa — de tal modo se dão conta de si próprios cercados pela melancolia das suas vidas.

domingo, 19 de junho de 2016

A Margarida e Eu, de Agostinho Monteiro

                                  

Sinopse

Nasci em Alcochete, mas, um dia, saí de lá e corri, não o mundo, mas a Europa. Depois voltei e fui viver suficientemente longe para me sentir livre, mas suficientemente perto para poder, sempre que disso tenho necessidade, dar um salto e sentir o fresco da maresia, esse ar que apenas nas imediações do Mar da Palha ou do Mar de Alcochete (como é também conhecido) se pode respirar…
A Margarida era irmã da minha avó paterna. Viúva, também ela um dia terá decidido sair de Alcochete e lá ficou por Lisboa, durante um período que creio ter sido de 20 a 30 anos. Contudo, tal como eu, também ela voltou a Alcochete, terra às vezes mãe, outras madrasta…
É pois do encontro dessa mulher de coração cheio com a criança que fui, protegida pelo cerco de duas casas-maternas e uma larga rua com nome de rei, que falam os capítulos deste livro.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Um livro de Alexandre Parafita que vale a pena ler



A lenda de Santo António mandado degolar
[origem da tradição das noivas de Santo António]

«Houve uma moça que gostava muito do padre Santo António, quando ele era um rapaz novo, e ainda não era dado como santo. Então a moça andava sempre de volta dele, mas ele desviava-se dela quanto mais podia, pois não queria casar. Já não tinha aquela vocação para casar, nem com ela nem com ninguém.

Um dia o pai da moça, que era uma pessoa com muito poder, resolveu vingar-se dele por não lhe querer a filha. E ao mesmo tempo queria fazer com que ela o tirasse do sentido, pois não gostava de ver a filha ao redor dele. E que fez? Mandou-o degolar. Cortaram-lhe então o pescoço e espetaram a cabeça numa estaca.
Mas quando todos pensavam que estava degolado e morto, ele apareceu do outro lado da rua a pregar. Ficou tudo admirado:

– O quê?! Então mataram-no e ele está ali vivo e a pregar!?

Foi assim que aquele rapaz ficou com a fama de santo. E dizem também que a moça, com o desgosto, não quis ser de mais ninguém. Sem o ser de verdade, ficou afinal sempre noiva de Santo António. E ao morrer também ficou santa.»