sexta-feira, 10 de maio de 2013

Entre Douro e Tâmega. E as Inquirições Afonsinas e Dionisinas


              20,95 € 
Autoria: Maria Fernanda Maurício
Sinopse:
O conhecimento de um espaço geográfico concreto, com as suas características naturais, bem como a distribuição dos seus habitantes, categorias sociais e as respectivas relações de trabalho são o objecto deste estudo. Trabalho de minuciosa investigação, visa reconstituir a vida da região de Entre Douro e Tâmega de há cerca de setecentos anos. Estudo de história regional, com base em inquirições ordenadas por D. Afonso II, D. Afonso III e D. Dinis, ao norte do Reino.

Detalhes:

Ano: 1997
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 500
Formato: 23x16
Edições Colibri

Contos Populares da Adiça

                     

Autor: António Ferreira Lopes
Sinopse:
Contos Populares da Adiça – da sua Recolha ao Ciclo do Animal Noivo, (…) Colhidos directamente da boca do contador tradicional, na sua maioria através de registo em cassete áudio ou filme VHS, os contos foram transcritos segundo um compromisso devidamente explicado e que pretende render homenagem aos transmissores desta literatura, que chegou até nós pela via predominantemente oral. Ao dar conta de algumas marcas da oralidade, pelo registo de expressões locais e realizações individuais dos contadores, o autor pretendeu intervir o menos possível, tentando fazer chegar ao leitor alguma frescura de autenticidade patente no dialecto dos informantes. O resultado desta transcrição é pois um discurso ainda embebido no doce perfume do oral, ainda impregnado da singela espontaneidade da linguagem popular. Assim, a ortografia dos textos transcritos a partir de registo áudio e vídeo poderá, num primeiro momento, afigurar-se estranha ao leitor.

Detalhes:

Ano: 2013
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 466
Formato: 16x23
Edições Colibri
Preço: 20,00 € 

terça-feira, 7 de maio de 2013

                                                    

O mazagran, é sabido, é uma bebida. Neste caso, explica o autor, é também um convite. Rentes de Carvalho convida os leitores para se sentarem com ele à mesa para uma amena cavaqueira.
Sirva-se então o mazagran: «um copo grande cheio até mais de um terço com café forte, um volume igual de água gasosa, muito açuca, uma rodela de limão.» E acrescenta Rentes de Carvalho, dado que esta é uma bebida muito popular no Magrebe: «Quando o Profeta abranda a sua vigilância junta-se-lhe um cálice de conhaque. Bebe-se quente no inverno e quase gelada nos dias de calor.»
A palavra mazagran, que dá título ao livro, só aparece no prefácio. É o tal convite do autor. O resto são «recordações e outras fantasias», como o próprio explica no subtítulo.
No fundo, trata-se de um conjunto de crónicas, boa parte delas em forma epistolar. Por elas, passam as reflexões de um transmontano a viver há décadas na Holanda. Até há muito pouco tempo, aliás, Rentes de Carvalho era mais conhecido no país que o acolheu - e que chegou a fazer dele um autor best-seller - do que no país onde nasceu.
Agora que as suas obras estão finalmente a ser publicadas com destaque na sua língua original, o português, é caso para lembrar a frase-síntese de José Saramago a respeito de uma obra que vale a pena descobrir: «o prazer da linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza.

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 320
Editor: Quetzal
16,60€


José Rentes de Carvalho

De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa - onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland - A Ira de Deus sobre a Holanda. Em 2012 foi galardoado com o Grande Prémio de Literatura Biográfica APE/Câmara Municipal de Castelo Branco 2010-2011com o livro Tempo Contado.
Foto: Hirondino Fernandes lança mais dois volumes da sua obra grandiosa sobre o distrito de Bragança.

http://tempocaminhado.blogspot.pt/2013/05/hirondino-fernandes-lanca-mais-dois.html

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Antologia de Contos Populares

                       

Quando vires a pele da burra embarrada na figueira...


Quando vires a pele da burra embarrada na figueira, 
já não fazes a sementeira!

É um provérbio transmontano. O povo usa-o para dizer que, quando as coisas começam a correr mal, o melhor é desistir a tempo. É a cultura popular na sua dimensão pragmática [e que lições poderiam tirar dela os atuais governantes, perante a obsessão de levar por diante compromissos absurdos que apenas conduzem ao descalabro...!]. Não menos curioso é que a origem deste provérbio está no conto popular “A mulher na pele da burra”, recolhido em Ferreira, Macedo de Cavaleiros:


            Conta-se que houve uma mulher numa aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros que era da raça do diabo. Era má e autoritária, e, por isso, não aceitava ordens de ninguém. Casou com um homem bom e humilde, e, como ele não mandava nada, acabou por morrer de desgosto. Depois, casou segunda vez, e, como o marido recebeu o mesmo trato, acabou da mesma maneira. A fama da mulher correu de tal forma, que, para arranjar terceiro marido, foi um cabo dos trabalhos. Mas como era pessoa de teres, lá lhe apareceu um duma terra vizinha. E logo o avisaram:
            – Ó pobrezinho, que triste sorte! Só te espera a morte!
            Mas ele não se importou. Não era como os outros. Determinaram o casamento, casaram, e ela, logo no primeiro dia, preparou-se para lhe fazer a vida negra. Dizia-lhe isto, dizia-lhe aquilo... só que a ele entrava-lhe por um ouvido e saía-lhe por outro. No segundo dia, foram para o campo. E ele então ordenou-lhe:
            – Arranca essas estevas, mata a burra e tira-lhe a pele!
            – ?! – diz ela – Quem faz isso és tu, pois quem manda sou eu!
            O homem pegou no rabo de uma sachola, e já não precisou de lhe dar a ordem segunda vez. Ela vai, e faz o que ele pediu. E depois do trabalho feito, o homem pegou na mulher, meteu-a na pele da burra e coseu-a. A seguir, acendeu uma fogueira com as estevas e pôs lá a mulher a assar. E com um pau ia virando e perguntando:
            – Mandas tu, ou mandou eu?
           E ela:
            – Mando eu!
            – Ah, mulher do diabo! – diz o homem – Ranhosa e teimosa, é virá-la e assá-la!
            Depois de tantas viradelas, a mulher lá se rendeu. E quando ele perguntou:
            – Mandas tu, ou mando eu?
            Responde ela:
            – Mandas tu, homem! Mandas tu!
            E assim acabou o castigo. O homem descoseu-lhe a pele da burra e deixou-a sair. No dia seguinte foi à feira vender uma junta de bois, e, com o dinheiro, comprou uma guitarra. Os vizinhos, ao verem tal, ficaram muito admirados. E logo pensaram que, em chegando a casa, o esperava um arraial de pancada. Por isso ficaram à espreita. E qual não foi o espanto de todos, quando o viram chegar a casa, com a guitarra nas mãos, e a cantar:
 
            – Guitarra, minha guitarra,
            Guitarra, minha bandurra!
            E tu não esqueças, mulher,
            A pele da nossa burra!
 
            E, mal entrou, disse à mulher:
            – Olha, mulher, vendi os bois, e com o dinheiro comprei esta guitarra.
            – Fizeste bem, homem, fizeste bem!
            O povo, que estava à escuta, não precisou ouvir mais. Acabou ali a má fama da mulher.

(Bibliografia: PARAFITA, A. - Antologia de Contos Populares,
Vol. 2, Lisboa, Plátano Editora, 2002)